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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Opinião :: As Pupilas do Senhor Reitor | Júlio Dinis

Título: As Pupilas do Senhor Reitor
Autor: Júlio Dinis
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1992 (1. ª edição de 1867)

Sinopse (retirada da Internet):
As Pupilas do Senhor Reitor, um romance de Júlio Dinis publicado em 1866, conta a história do regresso de um jovem inconsciente à vila onde nascera. Uma vez aí chegado, apaixona-se pela noiva do irmão, o que desencadeia uma série de peripécias. As aventuras amorosas de Daniel chocam com a vida de duas órfãs, Clara e Margarida, entregues aos cuidados do reitor da aldeia. Em suma, As Pupilas do Senhor Reitor traduz a vida rural portuguesa da época.
Um livro escrito com a simplicidade de estilo e o realismo de representação, que caracterizam a obra de Júlio Dinis, e recheado de situações imprevistas e de grande intensidade dramática. 

Opinião:
Este foi o primeiro livro que li de Júlio Dinis, sendo que foi uma descoberta tanto da história como da escrita do autor.
No livro, o escritor começa por nos apresentar José das Dornas, lavrador, que tinha dois filhos: Pedro e Daniel. Estes dois criaram ligações com duas irmãs, Clara e Margarida, que sendo órfãs, foram educadas e ensinadas pelo velho Padre António.
A história decorre durante a juventude de Daniel e de Margarida e mais tarde quando eles já estão na casa dos vinte anos. Nestes períodos, vemos como os irmãos conheceram as irmãs, que caminhos seguiram e como o destino os levou a aproximarem-se, havendo uma ou outra desavença pelo meio.
Logo no primeiro capítulo, fiquei surpreendida com o modo de Júlio Dinis a contar a história: usando ironicamente palavras caras e quase como se estivesse ao nosso lado a falar! E o próprio enredo também me cativou. Adorei conhecer o ambiente das personagens e ver a ligação que todos foram criando, sendo que, nesse aspecto, o reitor teve um importante papel.
No final, achei um belo romance que me fez sonhar com as paixonetas de infância e que, com muita sorte, regressam na vida adulta. Além disso, devo dizer que o livro está cheio de humor; e aqui menciono o capítulo 24, pois deixou-me perdida de riso do início ao fim! 😂 E também outros excertos e diálogos me fizeram rir muito! Adorei!
Quem já leu este clássico? Se não leram, deveriam fazê-lo! 😉

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Opinião :: A Tragédia da Rua das Flores | Eça de Queirós

Título: A Tragédia da Rua das Flores
Autor: Eça de Queirós
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1993 (1.ª edição de 1980)

Sinopse (retirada da Internet e truncada):
Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva. (...)

Opinião:
Parti para esta leitura bastante expectante, já que o título sugere o desvendar de um grande mistério. Talvez por não ter lido a sinopse, admito que o início do livro não me cativou muito e a leitura foi um bocado forçada. Por essa razão, foi-me difícil perceber o enredo e acompanhar a história. Mas não quis desistir do livro... e acabei por fazer uma pequenina batotice: ler um resumo na Internet! Foi a primeira vez que o fiz e detestei, mas foi uma boa ajuda para me acordar para o livro e, a partir de então, a leitura foi muito mais ávida e agradável.
A tragédia propriamente dita acontece no final do livro, sendo que toda a narrativa que antecede conta a história das personagens e da paixão vivida entre Vítor e Genoveva. Além da diferença de idades entre eles, o que mais notei na história foi o amor cego (talvez mesmo louco) que Vítor sentia por Genoveva, chegando ao ponto de abdicar de tudo para ficar com ela. Vejo este pormenor como uma crítica do autor que é transversal a qualquer época (e então na que vivemos, ui!...).
Como fiz a tal batota, não fiquei chocada com o final; ainda assim, gostei de saber o destino de algumas personagens após a tragédia. E fiquei na dúvida se tal caso aconteceu mesmo...
Vale na pena ler o livro! E não cusquem o final, a sério! 😉

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Opinião :: A Relíquia | Eça de Queirós

Título: A Relíquia
Autor: Eça de Queirós
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1993

Sinopse (retirada da Internet):
Romance saído em folhetins na Gazeta de Notícias, cuja epígrafe se tornou célebre - "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" - por sintetizar a aliança entre realismo e imaginação, naturalismo e fantástico, patente na obra.
Da intriga central - a viagem de Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante - sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo, Dr. Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus.
A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos setores mais conservadores, por questionar a divindade de Cristo.


Opinião:
Desta vez, a minha curiosidade em relação a este livro recaiu sobre o título; uma vez que esta edição não contém uma sinopse, comecei a leitura com uma maior sede de descobrir o que era a tal relíquia.
O início do livro agradou-me mais do que esperava: constatei que iria ser uma história engraçada, apesar das desgraças de Teodorico. No entanto, uma parte da história foi mais descritiva, nomeadamente o relato do dia de Páscoa em Jerusalém, e não me cativou muito, o que me fez abstrair mais da leitura. Fiquei novamente interessada aquando do culminar do caso: foi quando desvendei a relíquia e conheci o destino de Teodorico, bem como a moral da história.
No final, achei este livro muito bom, com um grande ensinamento para a vida: a inutilidade da hipocrisia. Eça de Queirós criou uma história cativante, utilizando uma escrita formal mas cómica, para abordar a religião e os comportamentos da sociedade daquele tempo.
Gostei muito de ler o livro e de viajar, tanto no tempo como no espaço; gostei de ler sobre a viagem a Israel e à Síria e tentei imaginar como seriam estes países no século XIX (com certeza muito diferentes da actualidade...).
Uma boa surpresa: recomendo!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A ler :: A Relíquia | Eça de Queirós

A Relíquia, de Eça de Queirós

Esta é a minha actual leitura: A Relíquia, de Eça de Queirós. Como podem ver, este livro é uma edição especial de capa dura, pertencente a uma colecção de obras deste autor, do Círculo de Leitores.
Não me falta muito para o acabar de ler; em breve espero partilhar a minha opinião!

Este livro é de 1993 e as suas páginas já mostram sinais do tempo: para mim, tornam-no ainda mais especial!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Opinião :: Mustang | Miriam Alves

Título: Mustang
Autora: Miriam Alves
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000

Sinopse:
Pepe e Rafa são dois irmãos no limiar da maior idade. O segundo herdou do progenitor o nome de Rafael mas não a maneira de ser, e Pepe faz junto do irmão as vezes do pai. Com quase dois anos de diferença, têm feitios diferentes, mas partilham confidências e charros. Vivem com a mãe e a avó Pipa num andar dos subúrbios da Grande Lisboa. De Rafael Neves Sénior não guardam os dois irmãos senão recordações esbatidas pelo tempo e uma fotografia em que mal se vê a face do pai. É Pepe quem se propõe encontrá-lo, procurando para tal apoio junto de um programa de televisão da SIC. Mas acaba por ser Rafa quem encontra na jornalista do Ponto de Encontro a sua alma gémea. Quanto ao pai, é ele próprio quem toma a iniciativa de (re)aparecer na vida dos filhos, apresentando-se primeiro como homem de negócios bem sucedido e só depois deixando cair a máscara, por detrás da qual os filhos irão reconhecendo traços de um homem violento, desonesto, irremediavelmente ligado ao mundo dos pequenos crimes, primeiro, e dos grandes delitos, depois.

Opinião:
Neste livro, conhecemos a história da família de Pepe e Rafa, dois irmãos cujo pai, Rafael, saíra de casa havia 15 anos e que os deixara com a mãe, Lena, e a avó Pipa. Passados estes anos, Rafael decide aparecer na mesma altura em que os filhos se propuseram a encontrá-lo. Primeiro apresenta-se como Alberto, faz um negócio com os rapazes, ganha confiança com eles e só depois lhes diz quem é e o que o levou a abandoná-los. No entanto, quando Lena fica a saber do regresso de Rafael e que os filhos saem com ele, ela fica triste e surgem-lhe memórias do passado que a levam a várias questões e dilemas, uma vez que ela estava a refazer a sua vida amorosa e este assunto veio desestabilizar as suas emoções. Com o desenrolar da narrativa, encontramos vários temas bastante actuais como a violência doméstica, as separações e os negócios ilegais, bem como pensamentos relacionados com esses problemas que nos fazem reflectir neles.
Dos três livros da colecção, este foi o que menos me agradou. Como a história não me prendeu a atenção, demorei bastante a ler o livro (e a opinar sobre ele). Houve algumas partes das quais até gostei, elementos mais românticos, tal como eu gosto, mas no geral não foi um livro que me marcou. Não vi o filme desta história, mas acredito que tenha um impacto mais positivo. Acho que a acção desta história tenha ficado melhor na televisão.

domingo, 5 de junho de 2016

Opinião :: Facas e Anjos | Carlos Pessoa

Título: Facas e Anjos
Autor: Carlos Pessoa
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000

Sinopse:
Neste livro, a vida de um rapazinho chamado João confunde-se com o mundo do circo. Depois de passar pelo Colégio Militar, João foge de casa, recusando-se a seguir as pisadas do pai, militar de carreira. Junta-se então ao circo.
Sem mãe, longe da figura austera do pai, João encontra em Catita uma espécie de segundo pai. Rejeitado a princípio, João acaba por ser adoptado por Catita, o maior palhaço do mundo. É com ele que João aprende as grandes lições da vida e, também, o ofício de palhaço.
O encontro de João com o circo marca o encontro de João com Dolores. Pode não ter sido amor à primeira vista, mas é amor que os dois sentem um pelo outro. Dolores é trapezista. Miguel é o filho que nasce da ligação entre o aprendiz de palhaço e Dolores...
Facas e Anjos é uma fábula dos nossos dias, cheia de personagens reais, marcada por encontros e desencontros.

Opinião:
O título do livro e a imagem da capa dão-nos logo a ideia da presença do circo na história. O certo é que este elemento está presente na vida de João desde tenra idade nos seus sonhos, sem ele nunca imaginar que viria a ser a sua casa, a sua vida. Tendo vivido a sua infância e adolescência sob a educação austera e pouco afectiva do pai, João foge de casa aos 18 anos e pára por acaso no Circo Soledade Cardinali. É aí que constrói a sua vida e ganha uma família: apaixona-se pela trapezista Dolores e têm um filho, Miguel; recebe também ensinamentos de vida e de ofício do palhaço Catita, tornando-se este num pai para João.
No entanto, os problemas começam a surgir na sua vida e, com a fuga de Dolores e a morte de Catita, João acaba por cuidar do seu filho praticamente sozinho, contando também com a ajuda dos colegas circenses. João escolhe educar Miguel de forma diferente daquela que o seu pai adoptou com ele, dando-lhe mais liberdade e carinho, mas por vezes repreende-o com mais rigidez e, ao lembrar-se do pai, arrepende-se. Esta história é, de facto, marcada por arrependimentos, por parte destas e de outras personagens em vários momentos. Também a relação entre o sonho e a realidade da vida é abordada, quer por João quer por Miguel.
Achei um romance interessante, com aspectos relevantes sobre a nossa sociedade e gostei do facto de o final da história não ser aquele que eu esperava, que me surpreendeu.

domingo, 20 de março de 2016

Opinião :: Amo-te Teresa | Rita Ferreira

 
Título: Amo-te Teresa
Autora: Rita Ferreira
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000

Sinopse
Amo-te Teresa é uma história de amor e de amores proibidos. Regressada à vila da sua infância, Teresa, uma médica desiludida com o amor, vai ao mesmo tempo revisitar o passado, descobrindo um doloroso episódio da sua vida familiar, e comprometer o futuro numa paixão sem limites. Há quase trinta anos, a mãe de Teresa foi o centro das atenções ao descobrir-se que mantinha uma relação amorosa fora do casamento. Pressionado por amigos e conhecidos, o pai de Teresa surpreende em flagrante os amantes e dispara contra o outro homem, expulsando a mulher de casa. A violenta censura que se abate sobre a mãe da Teresa obriga-a a procurar uma nova vida em Lisboa, para onde foi com a filha. Trinta anos mais tarde, esperava-se que o passado tivesse sido esquecido e que os tempos fossem outros. Mas serão?

Opinião
Este livro é uma novelização de um dos 12 telefilmes transmitidos pela SIC durante o ano 2000. Em casa tenho três livros dessa colecção e este foi o primeiro que li.
A imagem da capa é um fotograma do filme e mostra as personagens principais: Teresa e Miguel. No início da leitura, tive uma ideia diferente do que poderia ser a história, mas ao longo da leitura comecei a entender e o interesse aumentou. Teresa, médica de 35 anos, decide regressar à sua terra natal, Vila Nova do Carvalhal, e acaba por se apaixonar por Miguel, um miúdo de 15 anos, filho da sua melhor amiga de infância. Eles vivem um amor intenso mas, apesar de ser consentido por ambos, a diferença de idades prevalece e o tema da pedofilia torna-se presente. Também são retratados outros assuntos controversos, como o amor entre pessoas com grandes diferenças de idade, o envolvimento sexual entre um adulto e um menor e os preconceitos da sociedade perante os mesmos sob a visão do casal e também dos amigos, familiares e conhecidos que acabam por lhes descobrir o romance. Essa descoberta revolta toda a população da vila (e mais tarde do país) e traça o destino inevitável da médica e do jovem. As diferentes opiniões levam o leitor a reflectir e a criar as suas próprias convicções.
Ainda que seja uma história actual, é interessante observar alguns elementos que marcaram a época em que foi escrita, como por exemplo a moeda (o Escudo), certos programas televisivos e os cantores e músicas que estavam em voga.
A escrita fluída torna o livro fácil de ler e o desenrolar da história foi despertando cada vez mais o meu interesse, pelo que li o livro relativamente rápido.
Gostei do romance. Não vi o filme (tinha 4 anos aquando da estreia) mas fiquei com curiosidade em ver.