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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Pilha de livros :: Lidos em 2021


Viva! Chegados então ao novo ano, é altura de fazer o balanço das minhas leituras.
 
2021 não foi o meu melhor ano no que toca a leituras. Propus-me a ler vinte livros, mas só consegui ler dezanove. Digamos que foi um ano em que não tive grande tempo nem vontade de ler, pois arrastei algumas leituras mais tempo do que deveria, nem sempre sabia que género de literatura me apetecia ler e houve muitos dias que simplesmente não me apetecia ler de todo. Para uma pessoa que gosta tanto de lidar com livros, ressacas literárias tão prolongadas são bastante frustrantes! Por isso, espero realmente conseguir melhorar em 2022 e desfrutar mais dos livros que ler.

Assim, estes foram os livros que li em 2021, com as devidas opiniões no blogue:

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Opinião :: Natureza Morta | Paulo José Miranda

Título: Natureza Morta
Autor: Paulo José Miranda
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000 (1.ª edição de 1998)

Comprar: Bertrand | WOOK

Sinopse:
«Paulo José Miranda escolheu para escrever o seu romance Natureza Morta o músico português João Domingos Bomtempo, que no ano de 1816, quando Portugal, diz o narrador, "já não era um país", regressou à sua terra para enfrentar-se, para enterrar um tio, para recordar os pais falecidos, para ver a decadência e a pobreza de um povo, para assistir a uma conspiração política, para encontrar uma jóia musical, para escrever um miserere.

Com estes vimes, Paulo José Miranda escreve um romance também de iniciação, mas em que se revelam já os traços de quem perseverará neste ofício duro que é a escrita. (...)

O olhar triste e melancólico de João Domingos Bomtempo, por "este peso enorme de ser homem, esta tristeza de não poder ser somente música", confunde-se com o esforço de Paulo José Miranda por tornar sensível a pulsação da cultura portuguesa, de que se nutre e a que presta homenagem. Tarefa difícil, mas Miranda soube ultrapassar os obstáculos, convencendo os leitores do valor da aposta e do seu resultado.»


PILAR DEL RIO, membro do júri do Prémio Literário José Saramago
 
Opinião:
Decidi pegar neste livro para ler por ser uma obra de poucas páginas e por estar a precisar de ler livros mais pequenos que puxassem mais por mim. Ando numa ressaca literária sem precedentes. E nem este livro ajudou...

Natureza Morta, obra com a qual Paulo José Miranda venceu o Prémio Literário José Saramago em 1999, tem como personagem principal João Domingos Bomtempo, músico português a viver em Paris mas que volta a Lisboa para o funeral de um tio. O enredo decorre em 1816, altura das Invasões Francesas e de uma crise económica e institucional em Portugal. Estes factos, aliados às circunstâncias da vida de Bomtempo, levam o músico a questionar-se acerca da vida e da morte, temas que também se reflectem na sua inspiração musical e que o levam a criar a sua obra Requiem.

A narrativa é, portanto, mais melancólica e baseia-se na solidão, na angústia e no refúgio de Bomtempo na música no seu dia-a-dia, pois ele diz que "Em mim, a miséria só pode ser combatida e amada com música.". No entanto, apesar de esta ser um escape, a música torna-se inútil quando se está de volta à realidade.

A escrita de Paulo José Miranda torna o texto mais poético e, nesta obra, levou-me a reflectir sobre a arte e aqueles que a utilizam para expressar os seus sentimentos. Contudo, o livro não me cativou como gostaria.

Penso que o livro vale a pena ser lido, mas não numa altura de ressaca literária nem em alturas mais sombrias.

domingo, 8 de novembro de 2020

Opinião :: Véu Rasgado | Carmen bin Ladin

Título: Véu Rasgado
Autora: Carmen bin Ladin
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2004
 
Comprar: Bertrand | WOOK

Sinopse:
Carmen Bin Ladin, nascida na Suíça de mãe iraniana e pai suíço, casou-se em 1974 com Yeslam, um dos irmãos de Osama Bin Laden. Apaixonada por aquele jovem exótico e refinado, filho de um dos homens mais ricos da Arábia Saudita, acompanhou-o aos Estados Unidos, onde ele estudava numa universidade americana. Foi lá que nasceu a primeira filha de ambos. No entanto, a vida do casal muda drasticamente quando Yeslam acaba os estudos e o casal se instala na Arábia Saudita. Carmen torna-se então uma testemunha privilegiada da ascensão da Organização Bin Laden, uma empresa tentacular estreitamente ligada à família real. Ao lado do marido, procura vislumbrar os mínimos sinais de modernização do mundo árabe. Em vão... Assiste pouco a pouco à fanatização crescente do país, cujo exemplo mais evidente é o cunhado, Osama Bin laden, o líder da Al-Qaeda. Então, decide partir para salvar as filhas da terrível condição das mulheres na Arábia Saudita. Julgava poder passar uma esponja no passado, refazer a sua vida em Genebra... Até ao 11 de Setembro de 2001.
 
Opinião:
Fiquei muito curiosa em relação a este livro, uma vez que é o relato de quem conviveu com a cultura saudita e com a família (o clã) de Osama bin Laden, terrorista dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Carmen bin Ladin nasceu na Suíça e é filha de pai suíço e de mãe iraniana. Na Suíça, conheceu e apaixonou-se por Yeslam bin Laden, casando-se e mudando-se mais tarde com ele para a Arábia Saudita. Assim, neste livro, ela conta a sua história desde a infância e a vida que teve depois de se casar com Yeslam.

Yeslam era um dos cinquenta e quatro filhos de um dos vinte e três casamentos de Mohammed bin Laden, um homem que Carmen diz ser fascinante, mas que faleceu num acidente de avião em 1967. Yeslam era irmão de Osama bin Laden, mas de mães diferentes.

Carmen explica que segue a religião católica e tem uma vida ao estilo europeu, prezando a liberdade e todas as oportunidades que os países ocidentais oferecem. No entanto, quando se mudou para a Arábia Saudita, deparou-se com uma cultura fechada e extremamente rígida para com as mulheres, apesar de o seu marido ser mais liberal com ela. Lutou com unhas e dentes por pequenas mudanças na sociedade, mas em vão.

O livro centra-se, então, na visão de Carmen sobre a cultura saudita e explica todos os pormenores da mesma, que nos deixa perplexos com certos aspectos. De facto, trata-se de uma cultura antiquada e hipócrita, sem razão de ser. Mesmo em família, havia regras muito duras a respeitar; os homens eram rígidos e as mulheres eram submissas e limitadas. Carmen viu-se, por vezes, sem escapatória daquele mundo, preocupando-se com o futuro das filhas e com o seu também, mas conseguiu dar a volta.

O livro tem também fotos que retratam a vida de Carmen e as pessoas e os acontecimentos mencionados ao longo do livro.

Quando terminei de ler, pensei que fosse encontrar mais pormenores acerca do pós-atentado, mas retive bem a ideia da autora de dar relevância ao seu desejo e tentativa de manter a dignidade e valores, mesmo lidando com um marido cada vez mais rígido com ela e com as filhas. Carmen mostrou-se uma mulher de ideias fixas, muito inteligente e capaz de superar as maiores dificuldades.

Esta é uma biografia muito interessante que dá a conhecer uma das mais estranhas e extremistas culturas do mundo.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Opinião :: O Carteiro de Pablo Neruda | Antonio Skármeta


Título: O Carteiro de Pablo Neruda
Autor: Antonio Skármeta
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1997 (1.ª edição de 1985)

Comprar: Bertrand | WOOK

Sinopse:
Mario Jiménez, jovem pescador, decide abandonar o seu ofício para se converter em carteiro da Ilha Negra, onde a única pessoa que recebe e envia correspondência é o poeta Pablo Neruda. Mario admira Neruda e espera pacientemente que algum dia o poeta lhe dedique um livro ou aconteça mais do que uma brevíssima troca de palavras ou o gesto ritual da gorjeta. O seu desejo ver-se-á finalmente realizado e entre os dois vai estabelecer-se uma relação muito peculiar. No entanto, a conturbada atmosfera que se vive no Chile daquela época precipitará um dramático desenlace…

Através de uma história tão original como sedutora, Antonio Skármeta consegue traçar um intenso retrato da convulsa década de setenta no país andino, assim como uma recriação poética da vida de Pablo Neruda.

Opinião:
Este livro foi-me aconselhado ler pela minha irmã e, sem saber o que esperar dele, comecei a ler.
O livro fala do jovem Mario Jiménez que decidiu mudar de profissão e tornou-se carteiro, mas um carteiro especial, pois entregava correspondência na Ilha Negra e apenas a um morador: Pablo Neruda. Com tamanho privilégio, Mario começou a tentar captar a atenção do poeta e em pouco tempo surgiu uma boa amizade. Portanto, a história baseia-se na relação entre os dois homens e na evolução da vida de ambos, tendo em conta também a conjuntura do país deles.

O livro é bastante rico em figuras de estilo, particularmente em metáforas; aliás, as metáforas foram essenciais para o começo desta amizade entre o poeta e o carteiro. Com muito humor e muitas metáforas, Pablo Neruda ajudou Mario a conquistar a jovem Beatriz González e a enfrentar a futura sogra, Dona Rosa. Por sua vez, Mario ajudou Neruda a recordar a sua Ilha Negra, quando se encontrava a viver em Paris, e celebrou a sua conquista do Prémio Nobel da Literatura.

Esta é uma obra que vale a pena conhecer por se tratar de uma relação pouco provável mas muito próxima, além de ser bastante bem humorada e ter episódios engraçados. Nela, valoriza-se a amizade e, de uma forma especial, valorizam-se as palavras. É também um retrato do Chile dos anos 70 e uma forma de conhecer um pouco melhor o poeta chileno Pablo Neruda.

Por ser um livro pequeno e muito bem escrito, este é um livro que se lê rapidamente mas que proporciona um óptimo momento de leitura.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Opinião :: As Pupilas do Senhor Reitor | Júlio Dinis

Título: As Pupilas do Senhor Reitor
Autor: Júlio Dinis
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1992 (1. ª edição de 1867)
 
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Sinopse (retirada da Internet):    
As Pupilas do Senhor Reitor, um romance de Júlio Dinis publicado em 1866, conta a história do regresso de um jovem inconsciente à vila onde nascera. Uma vez aí chegado, apaixona-se pela noiva do irmão, o que desencadeia uma série de peripécias. As aventuras amorosas de Daniel chocam com a vida de duas órfãs, Clara e Margarida, entregues aos cuidados do reitor da aldeia. Em suma, As Pupilas do Senhor Reitor traduz a vida rural portuguesa da época.
 
Um livro escrito com a simplicidade de estilo e o realismo de representação, que caracterizam a obra de Júlio Dinis, e recheado de situações imprevistas e de grande intensidade dramática. 


Opinião:

Este foi o primeiro livro que li de Júlio Dinis, sendo que foi uma descoberta tanto da história como da escrita do autor.

No livro, o escritor começa por nos apresentar José das Dornas, lavrador, que tinha dois filhos: Pedro e Daniel. Estes dois criaram ligações com duas irmãs, Clara e Margarida, que sendo órfãs, foram educadas e ensinadas pelo velho Padre António.

A história decorre durante a juventude de Daniel e de Margarida e mais tarde quando eles já estão na casa dos vinte anos. Nestes períodos, vemos como os irmãos conheceram as irmãs, que caminhos seguiram e como o destino os levou a aproximarem-se, havendo uma ou outra desavença pelo meio.
 
Logo no primeiro capítulo, fiquei surpreendida com o modo de Júlio Dinis a contar a história: usando ironicamente palavras caras e quase como se estivesse ao nosso lado a falar! E o próprio enredo também me cativou. Adorei conhecer o ambiente das personagens e ver a ligação que todos foram criando, sendo que, nesse aspecto, o reitor teve um importante papel.
 
No final, achei um belo romance que me fez sonhar com as paixonetas de infância e que, com muita sorte, regressam na vida adulta. Além disso, devo dizer que o livro está cheio de humor; e aqui menciono o capítulo 24, pois deixou-me perdida de riso do início ao fim! 😂 E também outros excertos e diálogos me fizeram rir muito! Adorei!
 
Quem já leu este clássico? Se não leram, deveriam fazê-lo! 😉

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Opinião :: A Tragédia da Rua das Flores | Eça de Queirós

Título: A Tragédia da Rua das Flores
Autor: Eça de Queirós
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1993 (1.ª edição de 1980)
 
Comprar: Bertrand | WOOK

Sinopse (retirada da Internet e truncada):
Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva. (...)

Opinião:
Parti para esta leitura bastante expectante, já que o título sugere o desvendar de um grande mistério. Talvez por não ter lido a sinopse, admito que o início do livro não me cativou muito e a leitura foi um bocado forçada. Por essa razão, foi-me difícil perceber o enredo e acompanhar a história. Mas não quis desistir do livro... e acabei por fazer uma pequenina batotice: ler um resumo na Internet! Foi a primeira vez que o fiz e detestei, mas foi uma boa ajuda para me acordar para o livro e, a partir de então, a leitura foi muito mais ávida e agradável.
 
A tragédia propriamente dita acontece no final do livro, sendo que toda a narrativa que antecede conta a história das personagens e da paixão vivida entre Vítor e Genoveva. Além da diferença de idades entre eles, o que mais notei na história foi o amor cego (talvez mesmo louco) que Vítor sentia por Genoveva, chegando ao ponto de abdicar de tudo para ficar com ela. Vejo este pormenor como uma crítica do autor que é transversal a qualquer época (e então na que vivemos, ui!...).
 
Como fiz a tal batota, não fiquei chocada com o final; ainda assim, gostei de saber o destino de algumas personagens após a tragédia. E fiquei na dúvida se tal caso aconteceu mesmo...
 
Vale na pena ler o livro! E não cusquem o final, a sério! 😉

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Opinião :: A Relíquia | Eça de Queirós

Título: A Relíquia
Autor: Eça de Queirós
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1993 (1.ª edição de 1887)
 
Comprar: Bertrand | WOOK
 
Sinopse (retirada da Internet):
Romance saído em folhetins na Gazeta de Notícias, cuja epígrafe se tornou célebre "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" por sintetizar a aliança entre realismo e imaginação, naturalismo e fantástico, patente na obra. 
 
Da intriga central a viagem de Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo, Dr. Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus. 
 
A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos setores mais conservadores, por questionar a divindade de Cristo. 
 
Opinião: 
Desta vez, a minha curiosidade em relação a este livro recaiu sobre o título; uma vez que esta edição não contém uma sinopse, comecei a leitura com uma maior sede de descobrir o que era a tal relíquia.
 
O início do livro agradou-me mais do que esperava: constatei que iria ser uma história engraçada, apesar das desgraças de Teodorico. No entanto, uma parte da história foi mais descritiva, nomeadamente o relato do dia de Páscoa em Jerusalém, e não me cativou muito, o que me fez abstrair mais da leitura. Fiquei novamente interessada aquando do culminar do caso: foi quando desvendei a relíquia e conheci o destino de Teodorico, bem como a moral da história.
 
No final, achei este livro muito bom, com um grande ensinamento para a vida: a inutilidade da hipocrisia. Eça de Queirós criou uma história cativante, utilizando uma escrita formal mas cómica, para abordar a religião e os comportamentos da sociedade daquele tempo.
 
Gostei muito de ler o livro e de viajar, tanto no tempo como no espaço; gostei de ler sobre a viagem a Israel e à Síria e tentei imaginar como seriam estes países no século XIX (com certeza muito diferentes da actualidade...).
 
Uma boa surpresa: recomendo!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A ler :: A Relíquia | Eça de Queirós

A Relíquia, de Eça de Queirós
 
Esta é a minha actual leitura: A Relíquia, de Eça de Queirós. Como podem ver, este livro é uma edição especial de capa dura, pertencente a uma colecção de obras deste autor, do Círculo de Leitores. 
 
Não me falta muito para o acabar de ler; em breve espero partilhar a minha opinião!
 
Este livro é de 1993 e as suas páginas já mostram sinais do tempo: para mim, tornam-no ainda mais especial!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Opinião :: Mustang | Miriam Alves

Título: Mustang
Autora: Miriam Alves
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000

Sinopse:
Pepe e Rafa são dois irmãos no limiar da maior idade. O segundo herdou do progenitor o nome de Rafael mas não a maneira de ser, e Pepe faz junto do irmão as vezes do pai. Com quase dois anos de diferença, têm feitios diferentes, mas partilham confidências e charros. Vivem com a mãe e a avó Pipa num andar dos subúrbios da Grande Lisboa. De Rafael Neves Sénior não guardam os dois irmãos senão recordações esbatidas pelo tempo e uma fotografia em que mal se vê a face do pai. É Pepe quem se propõe encontrá-lo, procurando para tal apoio junto de um programa de televisão da SIC. Mas acaba por ser Rafa quem encontra na jornalista do Ponto de Encontro a sua alma gémea. Quanto ao pai, é ele próprio quem toma a iniciativa de (re)aparecer na vida dos filhos, apresentando-se primeiro como homem de negócios bem sucedido e só depois deixando cair a máscara, por detrás da qual os filhos irão reconhecendo traços de um homem violento, desonesto, irremediavelmente ligado ao mundo dos pequenos crimes, primeiro, e dos grandes delitos, depois.

Opinião:
Neste livro, conhecemos a história da família de Pepe e Rafa, dois irmãos cujo pai, Rafael, saíra de casa havia 15 anos e que os deixara com a mãe, Lena, e a avó Pipa. Passados estes anos, Rafael decide aparecer na mesma altura em que os filhos se propuseram a encontrá-lo. Primeiro apresenta-se como Alberto, faz um negócio com os rapazes, ganha confiança com eles e só depois lhes diz quem é e o que o levou a abandoná-los. No entanto, quando Lena fica a saber do regresso de Rafael e que os filhos saem com ele, ela fica triste e surgem-lhe memórias do passado que a levam a várias questões e dilemas, uma vez que ela estava a refazer a sua vida amorosa e este assunto veio desestabilizar as suas emoções. Com o desenrolar da narrativa, encontramos vários temas bastante actuais como a violência doméstica, as separações e os negócios ilegais, bem como pensamentos relacionados com esses problemas que nos fazem reflectir neles.
 
Dos três livros da colecção, este foi o que menos me agradou. Como a história não me prendeu a atenção, demorei bastante a ler o livro (e a opinar sobre ele). Houve algumas partes das quais até gostei, elementos mais românticos, tal como eu gosto, mas no geral não foi um livro que me marcou. Não vi o filme desta história, mas acredito que tenha um impacto mais positivo. Acho que a acção desta história tenha ficado melhor na televisão.

domingo, 5 de junho de 2016

Opinião :: Facas e Anjos | Carlos Pessoa

Título: Facas e Anjos
Autor: Carlos Pessoa
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000

Sinopse:
Neste livro, a vida de um rapazinho chamado João confunde-se com o mundo do circo. Depois de passar pelo Colégio Militar, João foge de casa, recusando-se a seguir as pisadas do pai, militar de carreira. Junta-se então ao circo.
 
Sem mãe, longe da figura austera do pai, João encontra em Catita uma espécie de segundo pai. Rejeitado a princípio, João acaba por ser adoptado por Catita, o maior palhaço do mundo. É com ele que João aprende as grandes lições da vida e, também, o ofício de palhaço.
 
O encontro de João com o circo marca o encontro de João com Dolores. Pode não ter sido amor à primeira vista, mas é amor que os dois sentem um pelo outro. Dolores é trapezista. Miguel é o filho que nasce da ligação entre o aprendiz de palhaço e Dolores...
Facas e Anjos é uma fábula dos nossos dias, cheia de personagens reais, marcada por encontros e desencontros.

Opinião:
O título do livro e a imagem da capa dão-nos logo a ideia da presença do circo na história. O certo é que este elemento está presente na vida de João desde tenra idade nos seus sonhos, sem ele nunca imaginar que viria a ser a sua casa, a sua vida. Tendo vivido a sua infância e adolescência sob a educação austera e pouco afectiva do pai, João foge de casa aos 18 anos e pára por acaso no Circo Soledade Cardinali. É aí que constrói a sua vida e ganha uma família: apaixona-se pela trapezista Dolores e têm um filho, Miguel; recebe também ensinamentos de vida e de ofício do palhaço Catita, tornando-se este num pai para João.
 
No entanto, os problemas começam a surgir na sua vida e, com a fuga de Dolores e a morte de Catita, João acaba por cuidar do seu filho praticamente sozinho, contando também com a ajuda dos colegas circenses. João escolhe educar Miguel de forma diferente daquela que o seu pai adoptou com ele, dando-lhe mais liberdade e carinho, mas por vezes repreende-o com mais rigidez e, ao lembrar-se do pai, arrepende-se. Esta história é, de facto, marcada por arrependimentos, por parte destas e de outras personagens em vários momentos. Também a relação entre o sonho e a realidade da vida é abordada, quer por João quer por Miguel.
 
Achei um romance interessante, com aspectos relevantes sobre a nossa sociedade e gostei do facto de o final da história não ser aquele que eu esperava, que me surpreendeu.

domingo, 20 de março de 2016

Opinião :: Amo-te Teresa | Rita Ferreira

 
Título: Amo-te Teresa
Autora: Rita Ferreira
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2000
 
Comprar: Bertrand | WOOK

Sinopse
Amo-te Teresa é uma história de amor e de amores proibidos. Regressada à vila da sua infância, Teresa, uma médica desiludida com o amor, vai ao mesmo tempo revisitar o passado, descobrindo um doloroso episódio da sua vida familiar, e comprometer o futuro numa paixão sem limites. Há quase trinta anos, a mãe de Teresa foi o centro das atenções ao descobrir-se que mantinha uma relação amorosa fora do casamento. Pressionado por amigos e conhecidos, o pai de Teresa surpreende em flagrante os amantes e dispara contra o outro homem, expulsando a mulher de casa. A violenta censura que se abate sobre a mãe da Teresa obriga-a a procurar uma nova vida em Lisboa, para onde foi com a filha. Trinta anos mais tarde, esperava-se que o passado tivesse sido esquecido e que os tempos fossem outros. Mas serão?

Opinião
Este livro é uma novelização de um dos 12 telefilmes transmitidos pela SIC durante o ano 2000. Em casa tenho três livros dessa colecção e este foi o primeiro que li.
 
A imagem da capa é um fotograma do filme e mostra as personagens principais: Teresa e Miguel. No início da leitura, tive uma ideia diferente do que poderia ser a história, mas ao longo da leitura comecei a entender e o interesse aumentou. Teresa, médica de 35 anos, decide regressar à sua terra natal, Vila Nova do Carvalhal, e acaba por se apaixonar por Miguel, um miúdo de 15 anos, filho da sua melhor amiga de infância. Eles vivem um amor intenso mas, apesar de ser consentido por ambos, a diferença de idades prevalece e o tema da pedofilia torna-se presente.
 
Também são retratados outros assuntos controversos, como o amor entre pessoas com grandes diferenças de idade, o envolvimento sexual entre um adulto e um menor e os preconceitos da sociedade perante os mesmos sob a visão do casal e também dos amigos, familiares e conhecidos que acabam por lhes descobrir o romance. Essa descoberta revolta toda a população da vila (e mais tarde do país) e traça o destino inevitável da médica e do jovem. As diferentes opiniões levam o leitor a reflectir e a criar as suas próprias convicções. 
 
Ainda que seja uma história actual, é interessante observar alguns elementos que marcaram a época em que foi escrita, como por exemplo a moeda (o Escudo), certos programas televisivos e os cantores e músicas que estavam em voga.
 
A escrita fluída torna o livro fácil de ler e o desenrolar da história foi despertando cada vez mais o meu interesse, pelo que li o livro relativamente rápido.
 
Gostei do romance. Não vi o filme (tinha 4 anos aquando da estreia) mas fiquei com curiosidade em ver.