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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Opinião :: Dona Flor e Seus Dois Maridos | Jorge Amado

Título: Dona Flor e Seus Dois Maridos
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002 (1.ª edição de 1966)

Sinopse:
Nem por ser desordenado dia de lamentação, tristeza e choro, nem por isso se deve deixar o velório correr em brancas nuvens. Se a dona da casa, em soluços e em desmaio, fora de si, envolta em dor, ou morta no caixão, se ela não puder, um parente ou pessoa amiga se encarregue então de atender à sentinela pois não sei vai largar o alvéu, sem de comer nem de beber, os coitados noite adentro solidários; por vezes sendo inverno e frio.
Para que uma sentinela se anime e realmente honre o defunto presidi-la e lhe faça leve a primeira e confusa noite de sua morte, é necessário atendê-la com solicitude, cuidando-lhe da moral e do apetite.

Opinião:
Não pensei que fosse demorar tanto tempo a ler este livro; apesar de ser uma obra de pouco mais de 500 páginas e de ter começado a ler perto da altura da Eurovisão (que me prende por completo), até cerca do meio do livro a minha leitura foi muito arrastada e forçada. Estava ainda a conhecer a história e as personagens, mas ainda nada me estava a cativar.
E do que se trata a história? Literalmente de dona Flor e dos seus dois maridos! E como é isso possível? Bem, o livro começa por apresentar dona Flor, excelente cozinheira e professora na escola de culinária Sabor e Arte; fala também de Vadinho, o primeiro marido de dona Flor, homem dado ao jogo, a festas e à vadiagem, e conta como aconteceu a sua morte. Dona Flor ficou desolada pela perda do homem que amava e da sua viuvez tão precoce. Todavia, mais tarde ela é cortejada pelo doutor Teodoro, um farmacêutico respeitado e de feitio totalmente diferente de Vadinho, e acaba por se casar com ele. No entanto, o maior problema surge a seguir, quando Vadinho reaparece na vida de dona Flor - e o livro conta o resto...
No livro, fiquei a conhecer bem as personagens principais, desde as suas personalidades até aos hábitos de vida. Algo que marca a história são as divagações de dona Flor, já que ela nunca se encontra completamente realizada ou satisfeita e lhe falta sempre alguma coisa (principalmente durante o luto do primeiro marido). Mas foi a partir do segundo casamento que a história ganhou ênfase e me interessou mais.
Um dos aspectos que me agradou mais foram as palavras utilizadas pelo autor, em alguns momentos, para falar de dona Flor: metáforas alusivas à culinária e que tornaram o texto ainda mais rico e prazeroso de ler. Mas isso é algo a que Jorge Amado já me habituou... cada vez mais adoro a sua escrita! Além disso, ler sobre a vida dos brasileiros naquela época (anos 60 do século XX) é sempre algo que me fascina e me lembra aquelas novelas que passam na televisão. Aliás, tenho conhecimento de que esta história já foi adaptada para o cinema, teatro e televisão, e gostava muito de poder ver a história!
Em suma, gostei do livro, mas não foi o meu preferido até agora. No entanto, não deixa de ser uma história imperdível!

sábado, 5 de maio de 2018

A ler :: Dona Flor e Seus Dois Maridos | Jorge Amado

Olá! Quero mostrar-vos a minha leitura actual: Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado. Vou a quase meio do livro e para já estou a gostar bastante! Até tenho lido regularmente, apesar de neste livro estar a avançar mais devagar.


Além disso, estamos em plena época eurovisiva, por isso tenho andado mais virada para a Eurovisão do que para os livros. Por vezes ainda nem acredito bem que Portugal ganhou no ano passado e trouxe este grandioso evento para cá! Infelizmente, não vou concretizar o meu sonho de assistir ao vivo às semi-finais e/ou à final, mas não vou perder as transmissões em directo na televisão!
Ontem foi inaugurada a Eurovision Village, amanhã ocorrerá a cerimónia de abertura e já na próxima Terça-feira será a primeira semi-final. Mal posso esperar por que tudo comece! Let the Eurovision Song Contest 2018 begin!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Opinião :: Capitães da Areia | Jorge Amado

Título: Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002 (1.ª edição de 1937)

Sinopse:
Já por várias vezes o nosso jornal, que é sem dúvida o órgão das mais legítimas aspirações da população baiana, tem trazido notícias sobre a atividade criminosa dos «Capitães da Areia», nome pelo qual é conhecido o grupo de meninos assaltantes e ladrões que infestam a nossa urbe. Essas crianças que tão cedo se dedicaram à tenebrosa carreira do crime não têm moradia certa ou pelo menos a sua moradia ainda não foi localizada. Como também ainda não foi localizado o local onde escondem o produto dos seus assaltos, que se tornam diários, fazendo jus a uma imediata providência do Juiz de Menores e do dr. Chefe de Polícia.

Opinião:
Numa nota inicial sobre o autor, que acompanha todos os livros desta colecção, refere-se que a primeira edição da presente obra foi queimada em praça pública, devido ao intenso envolvimento de Jorge Amado na política. Uma curiosidade interessante que me deu mais vontade de ler esta história, que se trata de um relato sobre as crianças abandonadas da Bahia, que vivem de furtos e moram na rua. Elas são vistas como delinquentes e são igualmente negligenciadas pela sociedade; aliás, existe um esforço em descobri-los e enviá-los para o reformatório, lugar onde o regime é à base da violência.
Com esta leitura, conheci de perto estas crianças e o que lhes vai na alma; a maioria delas é órfã e nunca teve infância: elas tiveram de crescer à força e não sabem o que é o amor e o carinho. Também havia pessoas que as compreendiam e se preocupavam em lhes melhorar o futuro,  pois algumas delas tinham talentos escondidos, mas estas crianças, por mais que quisessem mudar, presavam demasiado a vida e a liberdade que viviam.
Esta é uma dura crítica social que mostra as injustiças e desigualdades daquela época, principalmente. Aqui vê-se bem o poder dos homens de estatuto elevado e o desprezo em relação aos que não vão ao encontro das suas ideias, ainda que sejam erradas. Contudo, há sempre lugar para a esperança e a história guia-se por isso mesmo.
Até agora, este foi um dos livros de que mais gostei de Jorge Amado, pela sua pertinência e ironia, bem como pela beleza de escrita. Adoro viajar pelo Brasil através da leitura destas obras.

domingo, 16 de julho de 2017

Opinião :: O País do Carnaval | Jorge Amado

Título: O País do Carnaval
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002 (49.ª edição)

Sinopse:
Diante da grandiosidade da natureza, o brasileiro pensou que isto aqui fosse um circo. E virou palhaço...
Este livro pretende contar a história de um homem que, tendo vivido na velha França muito tempo, voltou à Pátria disposto a encontrar o sentido da sua vida.
Conta a sua luta, o seu fracasso. Conta a luta dos seus amigos, rapazes de talento, que falharam na existência.
Este livro é um grito. Quase um pedido de socorro.
É toda uma geração insatisfeita que procura a sua finalidade.
Nós já começamos a luta contra a dúvida. A geração que chega combate as atitudes céticas.
Este livro narra a vida de homens céticos que, entretanto, procuram uma finalidade. Tentaram alcançá-la. Uns no amor, outros na religião. O fracasso das tentativas não é prova da sua inutilidade.

 
Opinião:
O País do Carnaval foi o primeiro livro escrito por Jorge Amado, em 1930. Perante a sinopse desta edição, a minha curiosidade aumentou exponencialmente. De facto, ao julgar qualquer livro pela capa ou pelo título não fazemos as melhores conclusões sobre o mesmo. Inicialmente, pensava que este livro contava uma história que retratasse um Brasil alegre, colorido, de espírito carnavalesco. No entanto, quer a sinopse, quer o texto introdutório escrito por Augusto Frederico Schmidt (uma carta direccionada ao autor), explicam-nos perfeitamente o que vamos encontrar na obra.

Esta é a história de um grupo de homens que procura o sentido das suas vidas. Juntos discutem filosofias, questionam o amor, a política, a escrita e a religião e, individualmente, tiram as suas conclusões.

A história está cheia de metáforas e ironias inteligentes. Em quase todo o livro encontramos diálogos e pensamentos acerca das dúvidas existenciais das personagens. Por vezes achei um pouco de mais, mas no fim acabei por achá-las necessárias. A visão de cada um sobre a vida permite-nos reflectir sob diferentes perspectivas; tal como as personagens, fui assimilando as opiniões e criando a minha própria ideia acerca do assunto. Gostei desta liberdade de pensamento e do espírito vanguardista de Jorge Amado.

À parte das questões filosóficas, existe também algum romance que, parecendo à partida algo simples e natural, suscitou igualmente muitas dúvidas em algumas personagens.

Mais uma vez, Jorge Amado faz um retrato da sociedade brasileira da época (que, na verdade, foi o primeiro) com uma escrita muito simples e característica, à qual já me habituei e tenho apreciado cada vez mais.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Opinião :: Suor | Jorge Amado

Título: Suor
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002 (49.ª edição)

Sinopse:
Os ratos passaram, sem nenhum sinal de medo, entre os homens que estavam parados ao pé da escada escura. Era escura assim de dia e de noite e subia pelo prédio como um cipó que crescesse no interior do tronco de uma árvore. Havia um cheiro de quarto de defunto, um cheiro de roupa suja, que os homens não sentiam. Também não ligavam aos ratos que subiam e desciam, apostando carreira, desaparecendo na escuridão.
Vermelho e pequenino, um dos homens limpava com a manga da camisa o suor do rosto, que o outro, preto e agigantado, deixava que brilhasse na testa de carvão. O terceiro, cujos dentes salientes davam-lhe um aspecto de cão selvagem, trazia a camisa pregada ao corpo e mastigava um cigarro apagado.

Opinião:
Algum tempo depois, decidi voltar a descobrir as obras de Jorge Amado e desta vez peguei no livro Suor. Este livro foi escrito em 1934 e fala sobre as condições precárias em que o proletariado vivia e na vontade de fazer justiça em relação às diferenças entre eles, os patrões e os ricos. Tendo como plano de fundo um prédio onde vivem centenas de pessoas, o autor apresenta algumas personagens e revela o seu dia-a-dia, as condições de vida, de higiene e de trabalho e também os seus pensamentos e sonhos. Como tem sido hábito nos seus livros, o autor recorre muitas vezes à ironia e ao humor para descrever os problemas que se viviam.
A história está dividida em vários episódios, uma espécie de contos, que falam sobre vários temas. Durante a leitura, recordei-me do livro Cacau, publicado um ano antes, quando se faz referência aos imigrantes em busca de fortuna nas fazendas de cacau. Penso que estes são dois livros que se complementam nas suas ideias, mas ao mesmo tempo são bastante distintos!
É um livro pequeno, agradável e rápido de se ler. É óptimo para conhecer mais sobre a cultura brasileira e até mesmo para pensar um pouco nas críticas sociais que, apesar de serem de há 83 anos, ainda se podem aplicar actualmente...

domingo, 25 de setembro de 2016

Opinião :: Gabriela, Cravo e Canela | Jorge Amado

Título: Gabriela, Cravo e Canela
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002

Sinopse:
Essa história de amor - por curiosa coincidência, como diria dona Arminda - começou no mesmo dia claro, de sol primaveril, em que o fazendeiro Jesuíno Mendonça matou, a tiros de revólver, dona Sinhazinha Guedes Mendonça, sua esposa, expoente da sociedade local, morena mais para gorda, muito dada às festas de igreja, e o dr. Osmundo Pimentel, cirurgião-dentista chegado a Ilhéus há poucos meses, moço elegante, tirado a poeta. Pois, naquela manhã, antes da tragédia abalar a cidade, finalmente a velha Filomena cumprira sua antiga ameaça, abandonara a cozinha do árabe Nacib e partira, pelo trem das oito, para Água Preta, onde prosperava seu filho.

Opinião:
Creio que toda a gente já ouviu falar em Gabriela, Cravo e Canela, quer tenha sido pela novela transmitida na televisão ou simplesmente por ser uma das mais aclamadas obras de Jorge Amado. Como nunca vi a novela (que já teve uma adaptação há poucos anos, pelo 100.º aniversário do nascimento do escritor), decidi conhecer a história lendo o livro.
A acção desenrola-se em Ilhéus, uma terra no interior da Bahia, em 1925, altura em que imperava a produção de cacau, via-se um crescimento na cidade e se notavam, mais lentamente, mudanças nos costumes da sociedade, pois ainda se pensava de forma retrógrada e se fazia justiça pelas próprias mãos.
Nesta terra vive Nacib, brasileiro nascido na Síria, onde é dono de um bar e, com a necessidade urgente de arranjar uma cozinheira, desloca-se ao mercado dos escravos e encontra Gabriela, uma mulher simples, humilde, sorridente e trabalhadora. O amor surge cedo entre eles, mas devido às suas diferentes origens, a sua história passará por algumas dificuldades.
Além do romance entre estas personagens, encontramos fazendeiros, jagunços, mulheres de elite e mulheres da vida que dão vida ao livro com amores e ódios, traições e vinganças, casos políticos e até momentos de cultura, tendo sempre em vista o progresso. Neste aspecto dou destaque a Malvina, uma jovem que decidiu partir sozinha para outra cidade e refazer a sua vida, sem se limitar às exigências de um homem.
O livro superou as minhas expectativas. Como já li algumas obras de Jorge Amado, já me habituei à sua escrita e até passei a gostar mais. Acho que o que me de fez demorar a ler o livro todo ainda foi o português do Brasil e a sua gíria, mas perante esta história de tempos idos tão cativante, não me importei do tempo que levei a ler, pois foi muito bem gasto!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Opinião :: A Descoberta da América pelos Turcos | Jorge Amado

Resumo e opinião:
Pela altura das comemorações do Quinto Centenário da Descoberta da América, Jorge Amado e mais dois escritores do continente americano foram convidados a escrever uma história para uma empresa de aviação italiana. No entanto, o projecto não foi avante, mas a sua obra já tinha sido publicada noutros países e feito sucesso.
Este romancinho fala-nos dos turcos (designação dos brasileiros para todos os árabes, sírios, libaneses, ...) que descobriram o Brasil em 1903. O sírio Jamil Bichara e o libanês Raduan Murad foram colegas de viagem para o Eldorado do cacau, no Sul da Bahia, em busca de melhor vida. Jamil instalou-se em Itaguassu enquanto que Raduan ficou-se por Itabuna, mas por vezes Jamil deslocava-se até lá onde reencontrava o amigo e se divertiam juntos.
Num momento de descanso, Jamil recordou-se de quando foi aconselhado por Raduan a fazer sociedade com Ibrahim Jaret n'O Barateiro caso se casasse com Adma, a sua filha mais velha. Das suas quatro filhas, Adma era a menos bonita e a única solteira, já na idade de se casar. Como a situação na loja e no lar estava complicada, Ibrahim falou com Raduan para o ajudar a procurar um pretendente para a filha e para a administração do negócio. É no desenrolar da história que conhecemos o desfecho deste problema.
O romance é pequeno e muito agradável de ler, pois inclui inúmeros pormenores humorísticos proporcionados pela escrita um tanto desbocada de Jorge Amado. É de leitura rápida e que nos traz algumas gargalhadas. Gostei.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Opinião :: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua | Jorge Amado

Sinopse:
Até hoje permanece certa confusão em torno da morte de Quincas Berro Dágua. Dúvidas por explicar, detalhes absurdos, contradições no depoimento das testemunhas, lacunas diversas. Não há clareza sobre hora, local e frase derradeira. A família, apoiada por vizinhos e conhecidos, mantém-se intransigente na versão da tranqüila morte matinal, sem testemunhas, sem aparato, sem frase, acontecida quase vinte horas antes daquela outra propalada e comentada morte na agonia da noite, quando a lua se desfez sobre o mar e aconteceram mistérios na orla do cais da Bahia.

Resumo e opinião:
A primeira história do livro começa com uma breve introdução ao mistério em torno das duas (ou talvez três) mortes de Quincas Berro Dágua. Na verdade, Quincas é Joaquim Soares da Cunha, um homem trabalhador, com mulher e filha e uma vida exemplar, mas que de repente decide abandonar a família e entregar-se ao álcool e à má vida, perdendo o seu bom nome e respeito e morrendo para a sociedade. Considerando esta a sua morte social, a primeira morte física é confirmada aquando da descoberta do corpo por uma amiga, que mais tarde é comunicada à família e esta lhe trata do funeral, apesar das relações cortadas. No velório, Quincas possui um fato e calçado novos, fazendo recordar Joaquim, e também um sorriso cínico que dá a ideia de que ele não está morto. Mais tarde, os amigos de Quincas vão vê-lo, bebem em sua memória e decidem levá-lo para o cais para festejar. Incluindo a presença da sua amante, vão todos andar de barco. Contudo, uma tempestade faz com que Quincas caia à água e se dê a sua segunda morte física e definitiva. Mas, afinal, qual terá sido a verdadeira morte? É o mistério que o autor pretende desvendar no livro.
Em cerca de 50 páginas, Jorge Amado convida-nos a conhecer esta intrigante história de Quincas Berro Dágua. Numa nota inicial, é possível constatar que este livro foi escrito em 48 horas e a sua leitura também não deixa de ser rápida, aliada ao facto de ter vários pormenores humorísticos. É um livro simples, do qual eu gostei.

A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua / A Descoberta da América pelos Turcos | Jorge Amado

Viva!
Acabei finalmente de ler mais um livro de Jorge Amado. Escolhi-o por me apetecer ler um livro pequeno, e este em especial por incluir duas histórias, mas nem por isso demorei menos tempo... Sinceramente não tenho tido muita vontade para ler. E a semana eurovisiva também me "tirou" essa vontade. :P Mas o certo é que já o acabei e já escrevi sobre ele! Por se tratarem de duas histórias, decidi que vou escrever sobre cada uma em dois posts distintos. Assim ficam posts mais curtos... :)
Entretanto vou escolher outro livro para ler, mas irei fazer uma pausa nesta colecção. Para não enjoar!

Título: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua / A Descoberta da América pelos Turcos
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Opinião :: Cacau | Jorge Amado

Título: Cacau
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002

Sinopse:
Saltei em Ilhéus com dezesseis mil e quatrocentos, uma pequeno trouxa de roupa e uma grande esperança não sei mesmo de quê.
Um carregador me informou que pensão para quem procura trabalho só na Ilha das Cobras, aglomerado de ruelas que se escondia no fim da cidade pequena e movimentada. E até me recomendou a casa de D. Coleta, onde o sarapatel era suculento. Era suculento de verdade. Mas por ele e pela cama em que dormia eu pagava diariamente dois mil-réis. Passei quinze dias na pensão de D. Coleta. Já devia quatorze mil-réis e ela fez-me ver que tinha sido muito condescendente comigo, que eu pelo menos deixasse o quarto e a bóia para outro hóspede que pudesse pagar. Ela era pobre e não podia...
Peguei a minha trouxa e saí. O cacau nesse ano começara a cair e não estava muito fácil arranjar trabalho.

Opinião:
Cacau é um livro escrito em 1933 e começa com uma nota introdutória do autor: «Tentei contar neste livro, com um mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia.». De facto, este livro é-nos contado na primeira pessoa por um trabalhador sergipano, onde relata a vida quase escrava dos mais pobres que iam trabalhar para as fazendas dos coronéis. São-nos apresentadas várias críticas à disparidade social, como a desigualdade e a exploração, a vida boémia da elite e a miséria dos trabalhadores. Mas o ponto principal que o narrador nos faz notar é a "consciência de classe". Os comportamentos de cada classe são completamente diferentes; enquanto que os ricos são mais egoístas e incompreensivos, os pobres são honestos e mais unidos, sendo que o autor dá relevância aos valores dos mais desfavorecidos.
À parte disto, assistimos ao breve romance entre o sergipano e Mária, a filha do coronel Misael, dono da fazenda onde trabalha. Um romance que poderia ter dado certo, caso um deles aceitasse mudar de estatuto (mais um realce à consciência de classe).
Inicialmente, a leitura não me cativou muito, dificultada um pouco pela gíria do português do Brasil. No entanto, as últimas páginas surpreenderam-me e fizeram com que percebesse toda a história e gostasse um pouco mais do que acabara de ler. O livro é pequeno e contém bastantes ilustrações, pelo que se lê relativamente rápido.
É um bom livro para conhecer e compreender a vida e os costumes das várias classes sociais brasileiras daquela época.
Foi o primeiro livro que li de Jorge Amado e irei com certeza ler mais, já que tenho uma colecção com mais de 30 livros para ler. :)