segunda-feira, 15 de maio de 2017

Música :: Salvador, o nosso salvador

Salvador Sobral, vencedor do Eurovision Song Contest 2017 (imagem retirada da Internet)
Já muitos textos e artigos foram escritos sobre a vitória de Portugal no Festival Eurovisão, mas eu não podia deixar passar o acontecimento sem escrever... sem desabafar!
Portugal ganhou mesmo a Eurovisão. Ainda não acredito bem nisto. Foi um sonho tornado realidade! Esperei por este momento durante anos e nunca pensei que fosse acontecer em tão pouco tempo, muito menos no meu aniversário. O meu coração ia sofrendo um ataque aquando das votações, pois logo no início recebemos doze pontos e imediatamente previ a vitória. Não deveria ter sofrido tanto por antecipação, mas foi a percepção de que aquilo ia correr-nos bem que me deixou assim. Os pontos foram chegando, nunca arredámos pé do primeiro lugar e no meu coração não cabia a felicidade e o orgulho de ouvir tantos "twelve points go to Portugal!"! O momento foi mágico, inacreditável e emocionante, principalmente quando chegou a vez de Israel votar e o porta-voz despedir-se da Eurovisão, justificando a saída do país do certame e dando-nos "doze pontos" em português. Foi lindo!
A soma dos votos do júri e do público resultou numa pontuação recorde para um vencedor eurovisivo. Tivemos 758 pontos. Inimaginável!
O Salvador recebeu o tão desejado troféu e fez um discurso polémico mas que me fez aplaudi-lo de pé. A Eurovisão não é um concurso onde apenas as músicas festivaleiras, poderosas e cheias de efeitos têm direito a vencer. Durante anos, principalmente na primeira década de 2000, as músicas foram marcadas pelas roupas exuberantes, pelas danças e representações, por vozes fortes que mostravam o poder vocal dos intérpretes. As canções pop cada vez mais foram sendo em inglês e quem fugisse à regra era prejudicado. E aqui falo de Portugal: já levámos muito boas músicas, que não ganharam por razões que nunca hei-de saber ou perceber, mas também outras mais fracas, principalmente nos últimos anos. Quase sempre passámos despercebidos no meio dos "tubarões", dos que ganham tudo, dos que se ajudam mutuamente e nunca nos esmerámos em levar uma música realmente boa. Contudo, nunca deixámos de cantar em português e, acreditem, que não era por isso que não ganhávamos.
Precisávamos deste interregno. Melhorámos o nosso Festival da Canção e até aceitámos músicas em inglês. Houve vários estilos, várias vozes e muita polémica. O Salvador ganhou o FC e muitos pensaram que ia correr mal. Mas desde o início que ele teve destaque. Pela primeira vez Portugal foi destacado em toda a Europa pela sua canção e pelo poder dela. E o seu poder não estava nas notas agudas, nos gritos estridentes, na batida pop nem na letra que fica no ouvido. O poder estava na melodia, na voz do Salvador que se exprimiu corporal e musicalmente bem. Cantou em português e a mensagem chegou a todos! Ganhou uma canção calma e cheia de significado que foi uma lufada de ar fresco para a Eurovisão. Ganhou a diversidade!
Não quer isto dizer que as músicas festivaleiras vão acabar. Não vão nem devem! Mas quer dizer que se deve valorizar a diversidade de estilos, de melodias, de idiomas e aceitar as diferenças. Este pode ter sido o ano de mudança. Que bom que foi Portugal a dar o primeiro passo!
Os irmãos Sobral actuaram juntos no final. No meio de um público em silêncio, emocionado e atento, eles repetiram o momento ternurento da final do FC. Foi maravilhoso, que felicidade!


Além desde título, os irmãos ganharam também outros dois prémios: a Luísa o de melhor compositor e o Salvador de melhor intérprete. Eles estão mais do que de parabéns!
Finalmente conseguimos uma vitória e podemos deixar de dizer que o nosso melhor lugar foi o sexto de Lúcia Moniz. Admito que vai deixar saudades, mas o meu coração não tem cor e pode amar pelos dois! 😉
Assim terminou esta edição do Eurovision Song Contest. Nunca me hei-de esquecer deste dia, deste ano. Parabéns, Portugal!
And, next year, see you in Lisbon!

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