terça-feira, 27 de março de 2018

Opinião :: Onde Cantam os Grilos | Maria Isaac

Título: Onde Cantam os Grilos
Autora: Maria Isaac
Editora: Cultura Editora
Ano: 2017

Sinopse:
Ainda bebé, Formiga foi deixado num cesto nos degraus da casa da Herdade do Lago.
O mistério da sua chegada é apenas mais um na longa história da herdade e das várias gerações dos Vaz, assombrada por lendas e maldições: uma fonte inesgotável de mistérios fascinantes para a imaginação do rapazinho cabeça de vento.
Deslumbrado pela vida da família que venera de forma atrapalhada, Formiga corre e trepa a árvores, encolhe-se, faz-se invisível, inventa um pouco de tudo para conseguir acompanhar conversas, descobrir mais um segredo.
Mas o último segredo que ele descobre revela-se demasiado grande para a curiosidade bem-intencionada de uma criança, e um erro seu acaba por destruir o único mundo que conhece e pôr fim à sua infância.
Mais de vinte anos depois, Formiga regressa à Herdade do Lago e escreve para um leitor invisível, relembrando tudo o que
foi e que não deveria ter sido.
Uma história doce contada pela voz de um adulto que fala pela criança que foi um dia.


Opinião:
Este livro foi uma agradável surpresa. Não sabia o que esperar dele e houve tempos em que pensava que se tratava de uma fábula! Porém, logo no início apercebi-me de que Formiga é um homem que regressa à sua casa de infância e conta a sua vida e a da família nesse período de tempo; ele avisa que a história pode parecer uma tragédia e isso foi um aspecto que me fez ter mais curiosidade.
Ao longo do livro, notei que a história se passa em meados do século XX e fui conhecendo as pessoas que fizeram parte da vida de Formiga, bem como as suas tarefas na herdade, rotinas e relações. Formiga sempre me pareceu um menino ingénuo, vivendo naquele espaço limitado e desconhecendo alguns sentimentos, tanto os bons como os maus. Tudo o que conhecia era o que via e ouvia na herdade, ou o que as pessoas de lá lhe contavam.
A vida na herdade foi contada de uma forma que me aqueceu o coração! Tal como as personagens, sou uma pessoa do Norte e as minhas origens são de ambiente rural; por isso, em certos momentos imaginava os meus avós (que já cá não estão) a trabalhar no campo e nos animais, os meus pais e tios em crianças a brincar e a ajudar os mais velhos, a maneira de eles falarem (autenticamente à Norte!)... Senti uma proximidade caseira com as personagens!
Essa proximidade fez com que eu reagisse mais emotivamente à descoberta de alguns segredos deles. Sim, esperava acontecimentos trágicos, mas nunca imaginei que fosse o que foi. E isso deixou em mim alguma tristeza e pena, principalmente por Formiga; a criança ingénua descobriu abruptamente o lado amargo da vida. E tirou daí várias lições, que também partilha connosco.
De facto, foi um livro encantador, apesar do desfecho que teve. Adorei o carinho que me fez sentir pelas personagens e o bem que me soube ler a história. Aconselho muito a que a leiam também!

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