domingo, 2 de setembro de 2018

Opinião :: O Espelho Quebrado | Agatha Christie

Título: O Espelho Quebrado
Autora: Agatha Christie
Editora: RBA Coleccionables
Ano: 2008 (1.ª edição de 1962)

Sinopse:
A famosa estrela de cinema Marina Gregg decidiu adquirir a mansão de Gossington Hall em St. Mary Mead, a pacata aldeia onde também reside Miss Marple. Oferece uma grande festa de beneficência e a sua admiradora Heather Badcock bebe um cocktail e morre envenenada. Mas Miss Marple suspeita que o cocktail letal estava destinado a outra pessoa. E qual seria o motivo?

Opinião:
Peguei ao calhas neste livro e fiquei animada ao perceber que se tratava de um caso de Miss Marple. Já há bastantes anos, cheguei a ver alguns episódios desta personagem e achei-a sempre uma senhora encantadora e muito perspicaz.
Este livro em particular fala do mistério em volta da morte que ocorreu numa festa de beneficência organizada por uma actriz muito conhecida.

Voou a teia, flutuando para longe;
O espelho quebrou de lado a lado;
«Sobre mim se abateu a maldição»,
Exclamou a Dama de Shalott.

O acontecimento em destaque faz recordar este excerto de um poema de Alfred Tennyson, que aparece no início do livro e vai reaparecendo ao longo da narrativa.
O suspense vai crescendo à medida que se desvendam algumas pistas e, no meu caso, não consegui descobrir quem foi o assassino; aliás, o desfecho foi até bastante diferente do que imaginava. E isso foi bom!
Já estava à espera de encontrar um belo caso policial, na maravilhosa escrita de Agatha Christie, mas neste livro destaco um aspecto que achei giro, que foi a menção de algumas mudanças na sociedade, tanto na evolução das urbanizações como também no surgimento dos electrodomésticos (que causam alguma confusão à querida Miss Marple!).
Foi um livro viciante que não me deixou descansada até chegar à conclusão!

sábado, 25 de agosto de 2018

Opinião :: Cinco Quartos de Laranja | Joanne Harris

Título: Cinco Quartos de Laranja
Autora: Joanne Harris
Editora: Edições ASA
Ano: 2001
Saibam mais sobre o livro AQUI ou AQUI.

Sinopse:
Framboise regressa à pequena cidade onde nasceu, na província francesa, e abre aí um restaurante que rapidamente se torna famoso, graças às receitas de um velho caderno que pertencera à sua mãe. Essa espécie de diário contém igualmente uns estranhos apontamentos cuja decifração lançará uma nova luz sobre os dramáticos acontecimentos que marcaram a infância da protagonista nos dias já longínquos da ocupação nazi. Framboise recorda os sabores e os sentimentos da sua infância, numa França marcada pela dor e pela penúria da guerra, e muito especialmente um episódio que marcou a vida da família e constitui, para ela, a perda definitiva da inocência. Agora, já no Outono da vida, chegou a hora de enfrentar a difícil verdade.

Opinião:
Escolhi este livro para ler pela bonita capa e pelo título curioso, uma vez que a história reconta a época da Segunda Guerra Mundial e quis muito descobrir o porquê do título Cinco Quartos de Laranja.
O livro é narrado por Framboise, uma senhora no Outono da vida, que conta a história da sua infância em Les Laveuses, em plena guerra. Alternadamente, conhecemos a sua vida actual, numa altura em que as circunstâncias lhe fazem reavivar segredos de outrora e que a marcaram para sempre.
Logo de início, percebi a ligação de Framboise à culinária (até mesmo pelo seu nome) e a importância da laranja na história. Além disso, é interessante acompanhar todas as peripécias da sua juventude, onde a mãe e os irmãos têm um papel relevante, bem como a ligação com a Natureza. Conheci uma menina destemida e sem grandes receios perante os alemães que estavam no seu país. Gostei também da Framboise actual que, apesar de estar ante certos problemas e sob algumas ameaças, reencontra o poder da amizade e descobre a leveza de uma consciência tranquila, porque «Resistir é como nadar contra a corrente, é cansativo e inútil.»
O livro está repleto de sinestesias e comparações alusivas aos alimentos e à Natureza. Há também algum mistério e bastante romance. A escrita tem uma beleza agradável.
É um livro muito bom de ler e recomendo-o!

domingo, 19 de agosto de 2018

A ler :: Cinco Quartos de Laranja | Joanne Harris


Olá! Há uns dias, fez-se uma pequena arrumação a um móvel cá de casa que estava cheio de livros. No meio de alguns antigos, outros mais recentes, uns pertencentes a algumas colecções e até alguns mais técnicos, houve uns em particular que me chamaram a atenção, e acabei por escolher este para ler: Cinco Quartos de Laranja, de Joanne Harris. Escolhi-o pela capa e pelo curioso título!


Esta é a primeira edição, de 2001, ano do cinquentenário das Edições ASA. Actualmente já vai na nona edição!
Já o leram? O que acharam?

Se quiserem saber mais sobre o livro, cliquem AQUI ou AQUI.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Opinião :: A Tragédia da Rua das Flores | Eça de Queirós

Título: A Tragédia da Rua das Flores
Autor: Eça de Queirós
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 1993 (1.ª edição de 1980)

Sinopse (retirada da Internet e truncada):
Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva. (...)

Opinião:
Parti para esta leitura bastante expectante, já que o título sugere o desvendar de um grande mistério. Talvez por não ter lido a sinopse, admito que o início do livro não me cativou muito e a leitura foi um bocado forçada. Por essa razão, foi-me difícil perceber o enredo e acompanhar a história. Mas não quis desistir do livro... e acabei por fazer uma pequenina batotice: ler um resumo na Internet! Foi a primeira vez que o fiz e detestei, mas foi uma boa ajuda para me acordar para o livro e, a partir de então, a leitura foi muito mais ávida e agradável.
A tragédia propriamente dita acontece no final do livro, sendo que toda a narrativa que antecede conta a história das personagens e da paixão vivida entre Vítor e Genoveva. Além da diferença de idades entre eles, o que mais notei na história foi o amor cego (talvez mesmo louco) que Vítor sentia por Genoveva, chegando ao ponto de abdicar de tudo para ficar com ela. Vejo este pormenor como uma crítica do autor que é transversal a qualquer época (e então na que vivemos, ui!...).
Como fiz a tal batota, não fiquei chocada com o final; ainda assim, gostei de saber o destino de algumas personagens após a tragédia. E fiquei na dúvida se tal caso aconteceu mesmo...
Vale na pena ler o livro! E não cusquem o final, a sério! 😉