quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Opinião :: O Mal Humano: Contenção | Joel G. Gomes

Título: Contenção
Autor: Joel G. Gomes
Editora: Edição de Autor
Ano: 2017

Sinopse:
UMA CHAMADA A MEIO DA NOITE
Para pagar uma dívida antiga, a agente Catarina Beja, da Brigada de Crimes Macabros, é obrigada a regressar à sua aldeia natal, perto de Cabeçais de Baixo, para investigar a morte do pai de uma amiga de infância.
TRAZ O PASSADO DE VOLTA
Catarina percebe que essa morte é apenas uma de muitas que têm acontecido ao longo das últimas semanas. À medida que a sua investigação avança, é forçada a relembrar os eventos que a levaram a fugir daquele Inferno disfarçado de Paraíso.
E TODOS OS SEUS HORRORES…
Ao mesmo tempo que descobre que nem todos tiveram a mesma sorte que ela, Catarina é confrontada com uma realidade oculta no seio da comunidade. Uma tradição misteriosa que parece de alguma forma ligada ao seu passado…

Opinião:
O Mal Humano é uma série de vários episódios de crimes, fantasia e suspense, tendo também uma particular ligação a tradições sobrenaturais neste episódio, Contenção.
No conto, acompanhamos Catarina Beja, que se desloca, ainda que contrariada, à sua terra natal para investigar a estranha morte do pai de uma amiga dela. Lá, ocorrem vários acontecimentos misteriosos que ela vai desvendando e, aos poucos, encontrando respostas para todas as questões.


Eu adoro mistérios, apesar de ficar reticente quando se trata de assuntos sobrenaturais, mas a minha curiosidade prevalece e mantém-me ainda mais agarrada à história. Neste caso, o suspense manteve-se até ao fim e terminou de modo inesperado, pelo menos para mim. Houve momentos mais arrepiantes, nomeadamente os relativos aos rituais de bruxaria, mas foram igualmente os que mais me mantiveram atenta.
Como se trata de um conto, toda a história foi breve e leu-se num instante, contudo gostei da escrita do autor e do mistério abordado.
Num livro à parte, tive também a oportunidade de conhecer a origem desta série, bem como as suas personagens; desta forma, compreendi que este conto foi uma introdução à personagem e que a sua história terá continuidade noutros episódios. É, por isso, uma boa maneira de aguçar a curiosidade do leitor.
Gostei desta história, apesar de não ser propriamente o género que mais me fascina.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Opinião :: No Rasto do Predador | Wilbur Smith


Título: No Rasto do Predador
Autores: Wilbur Smith com Tom Cain
Editora: Editorial Presença
Ano: 2017

Sinopse:
Hector Cross, ex-agente SAS, perito em segurança privada, viúvo. A sua mulher desapareceu cedo demais, cruelmente assassinada. Johnny Congo - psicopata, extorsionista, terrorista - é o homem que Cross quer ver morto. Tal como as autoridades americanas. Congo é levado para o corredor da morte da prisão mais segura do mundo. Duas semanas apenas o separam do dia da sua execução. Ele quer fugir. Já se evadiu uma vez e sabe que pode fazê-lo de novo. Cross, ainda mal refeito do seu confronto com Congo, regressa à ação. Em pleno Atlântico, navega o superpetroleiro Bannock A. Ataques terroristas na zona provocam o pânico e só uma pessoa pode assegurar a proteção do navio. O que foi prometido como algo fácil é muito mais do que isso - é uma missão que irá pôr à prova os limites emocionais e físicos de Cross. Mas o seu passado como agente SAS e a sua experiência em segurança privada tornaram-no capaz de enfrentar todos os perigos. Conseguirá desta vez apanhar a sua presa?

Opinião:
Ao iniciar esta leitura, contei em encontrar muita aventura, crimes, perseguições e vingança, algo que já tinha saudades de ler em livros. Esta história em particular não me desiludiu em termos de suspense, pois todo o ódio e a rivalidade existente entre Hector Cross e Johnny Congo e a vontade mútua de destruírem o adversário ajudaram a captar a atenção.
Foi o primeiro livro que li do autor e gostei logo da sua maneira de contar a história; repleta de pormenores, a narrativa é tão expressiva que é possível visualizar e sentir tudo como se estivéssemos no local ou na pele da personagem (tanto as coisas boas como as más...).
Tratando-se de intervenientes de guerras e crimes, o conteúdo pode ser violento para pessoas mais sensíveis, principalmente nas descrições de lutas e de desastres (sim, são mesmo violentas, eu arrepiei-me em certos momentos), mas nem tudo são coisas más e há também espaço para o amor e o positivismo.
Apesar de ter gostado do livro, admito que a leitura foi algumas vezes superficial; não pela história em si, mas talvez por eu não estar completamente na onda - às vezes acontece, não é? Por essa razão, não adorei, mas quem sabe se não irei gostar mais das outras obras do autor, se tiver essa oportunidade! 🙂

terça-feira, 17 de julho de 2018

Livro recebido :: "A Carruagem dos Órfãos"

Olá! Quero mostrar-vos o mais recente livro adicionado à minha colecção: A Carruagem dos Órfãos, de Pam Jenoff. É um livro que aborda a Segunda Guerra Mundial, tema que me suscita sempre muito interesse e sobre o qual gosto sempre de ler. Assim, obviamente, estou curiosíssima por conhecer esta história!

Título: A Carruagem dos Órfãos
Autora: Pam Jenoff
Editora: Editorial Presença
Ano: 2018

Sinopse:
Noa, de 16 anos, fica grávida de um soldado do exército nazi e é forçada a desistir do seu bebé recém-nascido. Vive no piso superior de uma pequena estação ferroviária, a troco de limpezas... Quando descobre dezenas de crianças judias amontoadas num vagão cujo destino é um campo de concentração, ela não consegue deixar de pensar no filho que lhe foi retirado. E, num momento que mudará a sua vida para sempre, agarra numa das crianças e foge com ela pela noite fora sob um forte nevão.
Acaba por encontrar refúgio num circo alemão, mas vai ter de aprender números de trapézio para poder passar despercebida, não obstante o azedume de Astrid, a trapezista principal. A princípio rivais, Noa e Astrid em breve criam poderosos laços de afecto entre si. Mas como a fachada que as protege se torna cada vez mais ténue, elas têm de decidir se a amizade entre ambas é suficiente para se salvarem uma à outra - ou se os segredos que guardam deitarão tudo por terra.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Opinião :: Justine | Marquês de Sade

Título: Justine
Autor: Marquês de Sade
Editora: Impresa Publishing
Ano: 2009 (originalmente publicado em 1791)

Sinopse:
Este livro acompanhou toda a vida do Marquês de Sade, tendo sido reescrito ao longo dos anos, em várias versões - inicialmente anónimas, mas que, entre outros «crimes», conduziram o autor à prisão, em 1801, por ordem de Napoleão Bonaparte. Justine - personagem emblemática desta figura da aristocracia, que se celebrizou por escândalos sucessivos e pela sua vida depravada - é uma jovem aparentemente virtuosa que vai relatando, com os mais explícitos pormenores, uma vida de orgias, abusos, violações e «sadismos» vários...

Opinião:
Esta obra é um clássico da escrita francesa do século XVIII, que tive oportunidade de ler e da qual criei uma certa imagem que não correspondeu propriamente ao seu conteúdo.
Nesta história, conhecemos duas jovens irmãs, Juliette e Justine, que viviam bem mas, perante umas reviravoltas da vida, acabam por seguir caminhos separados. Ambas são física e psicologicamente distintas e fazem igualmente escolhas diferentes ao longo da vida; enquanto que Juliette é mais astuta e perspicaz e consegue chegar a um bom estatuto, ainda que por vezes tivesse sido moralmente incorrecta, já Justine é mais ingénua, sensível e de boa-fé, sendo mais devota a Deus e desejando fazer o bem, só que a sua alma caridosa não a salvou de uma vida cheia de agruras.
O livro trata-se então do relato de todo o percurso das duas irmãs, mas com destaque para o de Justine; sob o nome de Sophie, ela conta detalhadamente as violações que sofreu, maioritariamente nas mãos do clero, bem como os abusos de todas as pessoas que se lhe cruzaram pelo caminho. Apesar de tudo, nunca deixou de ser bondosa e questionou constantemente o porquê de tamanha injustiça: por que razão aqueles que eram maldosos e que cometiam crimes singravam na vida e abusavam das boas pessoas, enquanto que estas se viam obrigadas a submeter-se às suas ordens e acabavam na miséria?
Toda a narrativa se centra nesta questão filosófica e moral; pode ter sido escrita há séculos e retratar certos costumes de então, mas acho que  é transversal a qualquer época - não fossem todas as injustiças que vemos diariamente em todo o mundo...
No aspecto de reflexão que nos permite fazer, a história é excelente, mas não posso deixar passar a repugnância que senti nas descrições mais agressivas. Toda a gente sabe que há pessoas capazes de fazer qualquer coisa por maldade, mas estamos sempre a descobrir actos cometidos que até custam a acreditar - e não é só de agora... Muitas vezes, aqueles que deviam ser nossos protectores são os primeiros a rebaixar-nos... Mas fico-me por aqui, pois daria para escrever uma tese a esmiuçar este livro.
Não aconselho esta leitura a pessoas mais sensíveis, mas penso que é um clássico que não deve ser deixado de lado, pois no final guarda uma mensagem importante a ter em conta.