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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Opinião :: Justine | Marquês de Sade

Título: Justine
Autor: Marquês de Sade
Editora: Impresa Publishing
Ano: 2009 (originalmente publicado em 1791)

Sinopse:
Este livro acompanhou toda a vida do Marquês de Sade, tendo sido reescrito ao longo dos anos, em várias versões - inicialmente anónimas, mas que, entre outros «crimes», conduziram o autor à prisão, em 1801, por ordem de Napoleão Bonaparte. Justine - personagem emblemática desta figura da aristocracia, que se celebrizou por escândalos sucessivos e pela sua vida depravada - é uma jovem aparentemente virtuosa que vai relatando, com os mais explícitos pormenores, uma vida de orgias, abusos, violações e «sadismos» vários...

Opinião:
Esta obra é um clássico da escrita francesa do século XVIII, que tive oportunidade de ler e da qual criei uma certa imagem que não correspondeu propriamente ao seu conteúdo.
Nesta história, conhecemos duas jovens irmãs, Juliette e Justine, que viviam bem mas, perante umas reviravoltas da vida, acabam por seguir caminhos separados. Ambas são física e psicologicamente distintas e fazem igualmente escolhas diferentes ao longo da vida; enquanto que Juliette é mais astuta e perspicaz e consegue chegar a um bom estatuto, ainda que por vezes tivesse sido moralmente incorrecta, já Justine é mais ingénua, sensível e de boa-fé, sendo mais devota a Deus e desejando fazer o bem, só que a sua alma caridosa não a salvou de uma vida cheia de agruras.
O livro trata-se então do relato de todo o percurso das duas irmãs, mas com destaque para o de Justine; sob o nome de Sophie, ela conta detalhadamente as violações que sofreu, maioritariamente nas mãos do clero, bem como os abusos de todas as pessoas que se lhe cruzaram pelo caminho. Apesar de tudo, nunca deixou de ser bondosa e questionou constantemente o porquê de tamanha injustiça: por que razão aqueles que eram maldosos e que cometiam crimes singravam na vida e abusavam das boas pessoas, enquanto que estas se viam obrigadas a submeter-se às suas ordens e acabavam na miséria?
Toda a narrativa se centra nesta questão filosófica e moral; pode ter sido escrita há séculos e retratar certos costumes de então, mas acho que  é transversal a qualquer época - não fossem todas as injustiças que vemos diariamente em todo o mundo...
No aspecto de reflexão que nos permite fazer, a história é excelente, mas não posso deixar passar a repugnância que senti nas descrições mais agressivas. Toda a gente sabe que há pessoas capazes de fazer qualquer coisa por maldade, mas estamos sempre a descobrir actos cometidos que até custam a acreditar - e não é só de agora... Muitas vezes, aqueles que deviam ser nossos protectores são os primeiros a rebaixar-nos... Mas fico-me por aqui, pois daria para escrever uma tese a esmiuçar este livro.
Não aconselho esta leitura a pessoas mais sensíveis, mas penso que é um clássico que não deve ser deixado de lado, pois no final guarda uma mensagem importante a ter em conta.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Opinião :: A Livraria dos Finais Felizes | Katarina Bivald

Título: A Livraria dos Finais Felizes
Autora: Katarina Bivald
Editora: Suma de Letras
Ano: 2016

Sinopse:
Se a vida fosse um romance, o de Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos, nunca saiu da Suécia e jamais o destino perturbou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões.
Tudo muda no dia em que recebe uma carta vinda de Broken Wheel, uma pequena cidade perdida no meio do Iowa. A remetente é Amy, uma americana de sessenta e cinco anos que lhe envia um livro. E assim começa entre ambas uma troca de correspondência afectuosa e sincera. Depois de uma intensa partilha de cartas e livros, Sara consegue, finalmente, a quantia necessária para atravessar o oceano e encontrar a sua querida amiga. No entanto, Amy não está à sua espera. O fim da sua vida chegou mais cedo do que se esperava. Enquanto os excêntricos habitantes da cidade, de quem Amy tanto lhe falou, tomam conta da assustada turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a gentileza iniciando-os no desconhecido prazer da leitura. Porque depressa percebe que Broken Wheel precisa desesperadamente de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e também de um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria.
E é naquele lugar com pouca alma mas com um grande coração que Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, encontrará amizade, amor e emoção: será, finalmente, a verdadeira protagonista da sua vida.

Opinião:
Parti para esta leitura com muita curiosidade, devido à sinopse, mas com receio de uma desilusão, pois li alguns comentários sobre a obra que não foram tão positivos.
No livro, encontrei a jovem Sara, que rumou aos EUA naquela que foi a sua grande aventura de vida. Na cidade de Broken Wheel, ela esperava conhecer a sua amiga Amy, com quem privara por correspondência, mas por azar Amy morrera pouco antes de ela lá chegar. Foi esse o aspecto que mais me despertou para esta leitura; o que se faz quando se sai da zona de conforto, atravessa-se o oceano para conhecer uma pessoa e essa pessoa não está lá? O que acontece depois?
Nas quase 500 páginas do livro, a autora divulga as cartas de Amy para Sara e conta toda a aventura desta última. Como Broken Wheel tem poucos habitantes, todos eles se conhecem e estavam à espera da turista da Suécia, a amiga de Amy. Também por isso, aos poucos fui conhecendo cada um deles, bem como as suas situações de vida.
As pessoas de Broken Wheel receberam Sara de braços abertos e esta incute em cada um o gosto e a magia dos livros. Assim, posso dizer que Sara e os seus livros mudaram a vida daquela cidade, bem como a dela acabou por mudar.
No final, gostei mais da história do que imaginara, pois houve sempre algo a descobrir e foi muito giro acompanhar esta aventura, além de que houve algum romance - e isso eu adoro!
De referir que o livro está repleto de referências a autores e às suas obras, não fossem os livros quase os protagonistas da história! Infelizmente, encontrei algumas gralhas e palavras mal empregues (ainda pior do que erros ortográficos), no entanto não foram frequentes.
Em suma, gostei muito do livro. E a capa do livro assenta perfeitamente na história! 😉

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Opinião :: O Cão da Morte | Agatha Christie

Título: O Cão da Morte
Autora: Agatha Christie
Editora: RBA Coleccionables
Ano: 2008 (1.ª edição de 1933)

Sinopse:
Este livro reúne doze casos, aparentemente inexplicáveis, cuja resolução requer o génio «sobrenatural» de Agatha Christie. Uma marca de pólvora com a forma de um cão, uma casa assombrada, uma reunião aterradora, um caso de dupla personalidade, um pesadelo recorrente, uma amnésia súbita, uma levitação, um pedido de socorro...

Opinião:
Neste livro, encontrei uma colectânea de doze pequenas histórias de acontecimentos misteriosos, relacionados maioritariamente com crimes e assombrações.
Devo ser sincera: li quase todas as histórias com uma incómoda sensação de calafrios, pois eu sou uma medricas no que toca a espíritos e casas assombradas! Mas, como envolve muito mistério, não resisti e fui lendo (é o chamado não quero ver, mas vou ver!).
Na verdade, os finais não foram assim tão assustadores como imaginara; alguns traziam até uma moral a retirar. Outros contos davam a ideia de continuar em suspense, contudo tenho de destacar um deles, que inicialmente me assustou um bocadinho, mas terminei-o a dar umas belas gargalhadas!
Foi um bom livro, que li bastante rápido, mas podia muito bem ler um conto por dia. Só que a curiosidade não me deixou esperar! 😉

terça-feira, 26 de junho de 2018

Opinião :: Matar é Fácil | Agatha Christie

Título: Matar é Fácil
Autora: Agatha Christie
Editora: RBA Coleccionables
Ano: 2008 (1.ª edição de 1939)

Sinopse:
Luke Fitzwilliam, um jovem ex-polícia, conhece no comboio Miss Lavinia Pinkerton. A velhinha conta-lhe que as mortes na pacata aldeia onde vive se devem a um assassino em série e que conhece a identidade da próxima vítima: Dr. Humbleby, o médico local. Horas depois, Miss Pinkerton morre atropelada. É coincidência? Alarmado, finge que é um escritor que pesquisa para escrever um romance e assim poder investigar mais livremente.

Opinião:
No meio da colecção de livros de Agatha Christie da minha irmã, peguei neste completamente ao calhas. Já há algum tempo que queria ler estas obras e finalmente chegou a altura! Apetecia-me ler a história de um crime; já tinha saudades...
Este mistério que o ex-polícia Luke Fitzwilliam decide desvendar prendeu-me por completo durante três dias! Não descansei enquanto não descobri o verdadeiro assassino. Adorei toda a história e as ligações existentes entre as várias mortes, bem como o caminho que se levou até à descoberta do mistério. O suspense manteve-se até ao fim!


Há uns bons anos, cheguei a ver alguns filmes de Poirot (personagem tão marcante desta autora) e gostei, apesar de não ter dado o devido valor na altura. Gostei principalmente da época em que decorria (inícios do século XX). Ao ler agora esta obra, fui imaginando os cenários da época e isso foi do que mais me agradou!
Apesar de tudo, houve duas coisas que menos gostei: da sensação que tive de que a história estava abreviada e decorria muito rápido e de ver algumas gralhas que me incomodaram um bocado (sendo um livro de colecção, torna-o imperfeito...). Ainda assim, são pequenos pormenores que se tornam quase irrelevantes.
Em suma, adorei o livro e sei que vou devorar mais uns quantos da colecção em breve!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Opinião :: O Fabricante de Bonecas de Cracóvia | R. M. Romero


Título: O Fabricante de Bonecas de Cracóvia
Autora: R. M. Romero
Editora: Editorial Presença
Ano: 2017

Sinopse:
Há guerra. Há dor. Mas há magia e há esperança.
Cracóvia, Polónia, 1939. Por magia, uma boneca chamada Karolina adquire vida numa loja de brinquedos e torna-se amiga do amável e discreto Fabricante de Bonecas, que é também o proprietário da loja.
Quando a ocupação nazi começa a oprimir a cidade, Karolina e o Fabricante de Bonecas têm de recorrer à magia para salvar, custe o que custar, os seus amigos judeus dos perigos iminentes que pairam sobre eles.
Reunindo uma atmosfera de magia, história, tradições e cultura local,  esta impressionante narrativa fala-nos de como encontrar a esperança e a amizade nos lugares mais tenebrosos.

Opinião:
O livro surpreendeu-me. A história decorre em plena Segunda Guerra Mundial, tendo como figura principal Cyryl Brzezick, o fabricante de bonecas. A certa altura, a boneca Karolina vem do País das Bonecas até ao mundo dos humanos e conhece Cyryl. Nasce então uma amizade improvável mas muito importante, pois ambos vivem a guerra nos seus países e é juntos que decidem fazer alguma coisa para ajudar as vítimas do Holocausto. O problema é que eles eram amigos de dois judeus...
O livro apresenta, alternadamente, a história de Karolina, na guerra do seu país, e o que se passa em Cracóvia. No desenrolar das mesmas, é possível observar as semelhanças entre elas, bem como aquilo que vai acabar por uni-las.
Perante tanta fantasia, eu podia muito bem deixar de gostar da história, mas neste caso toda a magia tornou o assunto do livro, tão real, mais leve. Aliás, esta magia mostra o poder que qualquer pessoa pode ter perante situações difíceis de ultrapassar, quer seja na própria vida, quer seja numa guerra envolvendo milhões de pessoas. Mesmo que o fim não seja o mais desejado, o que permanece são os actos de coragem e o que de bom se fez.
A única coisa menos boa foi que a história em si não teve tantos pormenores sobre o Holocausto como eu pensava, mas no final há uma cronologia onde inclui os principais acontecimentos dessa época. Há também uma nota final da autora onde explica a origem do livro, bem como um pedido para todos sermos melhores pessoas e evitarmos que tudo isto se repita.
Não podia estar mais de acordo.
Leiam o livro; vale a pena!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Opinião :: Dona Flor e Seus Dois Maridos | Jorge Amado

Título: Dona Flor e Seus Dois Maridos
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002 (1.ª edição de 1966)

Sinopse:
Nem por ser desordenado dia de lamentação, tristeza e choro, nem por isso se deve deixar o velório correr em brancas nuvens. Se a dona da casa, em soluços e em desmaio, fora de si, envolta em dor, ou morta no caixão, se ela não puder, um parente ou pessoa amiga se encarregue então de atender à sentinela pois não sei vai largar o alvéu, sem de comer nem de beber, os coitados noite adentro solidários; por vezes sendo inverno e frio.
Para que uma sentinela se anime e realmente honre o defunto presidi-la e lhe faça leve a primeira e confusa noite de sua morte, é necessário atendê-la com solicitude, cuidando-lhe da moral e do apetite.

Opinião:
Não pensei que fosse demorar tanto tempo a ler este livro; apesar de ser uma obra de pouco mais de 500 páginas e de ter começado a ler perto da altura da Eurovisão (que me prende por completo), até cerca do meio do livro a minha leitura foi muito arrastada e forçada. Estava ainda a conhecer a história e as personagens, mas ainda nada me estava a cativar.
E do que se trata a história? Literalmente de dona Flor e dos seus dois maridos! E como é isso possível? Bem, o livro começa por apresentar dona Flor, excelente cozinheira e professora na escola de culinária Sabor e Arte; fala também de Vadinho, o primeiro marido de dona Flor, homem dado ao jogo, a festas e à vadiagem, e conta como aconteceu a sua morte. Dona Flor ficou desolada pela perda do homem que amava e da sua viuvez tão precoce. Todavia, mais tarde ela é cortejada pelo doutor Teodoro, um farmacêutico respeitado e de feitio totalmente diferente de Vadinho, e acaba por se casar com ele. No entanto, o maior problema surge a seguir, quando Vadinho reaparece na vida de dona Flor - e o livro conta o resto...
No livro, fiquei a conhecer bem as personagens principais, desde as suas personalidades até aos hábitos de vida. Algo que marca a história são as divagações de dona Flor, já que ela nunca se encontra completamente realizada ou satisfeita e lhe falta sempre alguma coisa (principalmente durante o luto do primeiro marido). Mas foi a partir do segundo casamento que a história ganhou ênfase e me interessou mais.
Um dos aspectos que me agradou mais foram as palavras utilizadas pelo autor, em alguns momentos, para falar de dona Flor: metáforas alusivas à culinária e que tornaram o texto ainda mais rico e prazeroso de ler. Mas isso é algo a que Jorge Amado já me habituou... cada vez mais adoro a sua escrita! Além disso, ler sobre a vida dos brasileiros naquela época (anos 60 do século XX) é sempre algo que me fascina e me lembra aquelas novelas que passam na televisão. Aliás, tenho conhecimento de que esta história já foi adaptada para o cinema, teatro e televisão, e gostava muito de poder ver a história!
Em suma, gostei do livro, mas não foi o meu preferido até agora. No entanto, não deixa de ser uma história imperdível!

domingo, 27 de maio de 2018

Opinião :: Sob a Pele | Nora Roberts

Título: Sob a Pele
Autora: Nora Roberts
Editora: Halequin
Ano: 2017 (87.ª edição)

Sinopse:
Apesar de estar a ser perseguida por um "admirador" obcecado, Chantel O'Hurley não queria que nenhum detective privado lhe dissesse o que tinha de fazer. Por outro lado, Quinn Doran irritava-se por ter de fazer de ama-seca de uma estrela de nariz empinado. Mas assim que viu aquela loura distante, percebeu de imediato o quão fácil era ficar obcecado por uma mulher como Chantel...

Opinião:
Não sabia ao certo o que havia de encontrar neste livro, mas mesmo assim estava empolgada para o ler.
A história tem como personagem central Chantel O'Hurley, uma actriz muito conhecida em Hollywood, que a certa altura se vê perseguida por um fã obcecado. Desta forma, o detective Quinn Doran entra na sua vida para investigar o caso, mas acaba por se envolver de mais com ela.
Devo dizer que não morri de amores pela história. Achei que tudo se passou muito rápido, que a narração foi superficial e que a parte romântica foi muito cliché. Não obstante ter gostado de conhecer a actriz e o seu mundo profissional (as gravações para um filme), penso que a história perdeu por ser demasiado batida, ou seja, deu-me a impressão de que é o clássico que se costuma ver nos filmes que passam na televisão!
O enredo teve também uma parte de algum mistério, no que toca à investigação do caso; foi algo de que até gostei, mas não achei nada de especial. Lá está: foi pouco desenvolvido e passou-se muito rápido.
Fiquei um pouco desiludida, mas não foi assim tão mau... Foi um livro mediano.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Opinião :: Limões na Madrugada | Carla M. Soares

Título: Limões na Madrugada
Autora: Carla M. Soares
Editora: Cultura Editora
Ano: 2017

Sinopse:
Ansiosa por regressar à Argentina, mas presa a Portugal, distante do homem que ama e da mulher com quem vive, Adriana está perante um dilema universal e intemporal: manter-se comodamente na ignorância ou desvendar o passado da família, como se de um caso policial se tratasse, enfrentando assim aquilo de que andou a fugir toda a vida, por mais doloroso que seja. 
Num jogo magistralmente imaginado pela autora, entre a vida atual de Adriana e os ecos do Portugal antigo, machista e violento dos seus pais e avós, esta história, de uma família e dois continentes, é uma viagem entre o presente e o passado, uma ponte sobre o fosso cultural que separa as gerações, um tratado sobre tudo aquilo que a família pode fazer à vida de um só indivíduo.
Entre a sombra e a luz, deixando que por vezes os silêncios falem mais alto do que as palavras, Limões na Madrugada é um romance sobre o amor incomum, o poder da família e a necessidade da coragem.

Opinião:
Este livro revelou-se uma agradável surpresa; estava muito curiosa em desvendar a história familiar de Adriana, tal como a própria acabou por fazer, viajando de Buenos Aires até ao Porto, após a notícia da morte da sua tia Aurora, último membro da família de Portugal. Esta deixara-lhe uma carta mencionando uma pequena herança que deveria ser recebida no seu país, pois revelava pormenores importantes da família de que Adriana nunca soube. Assim, ela deixou a sua vida da Argentina para rumar à descoberta de um grande segredo.
Adorei conhecer Adriana e toda a história envolvente, contada por ela; não abordou apenas o caso familiar, mas também a sua vida pessoal, partilhando incertezas, receios e alguns medos. A narrativa é rica em romantismo, mistérios e sinestesias, pois tive várias vezes a sensação de sentir - passo a redundância - o frio do Inverno de Portugal, ver as cores da cidade do Porto e cheirar os limões que tanto destaque têm na vida da personagem e no livro.
A escrita da autora é maravilhosa! Deixou-me embrenhada no livro logo desde o início e não descansei enquanto não desvendei todos os segredos. Quase me senti na pele de Adriana...
Para quem adora romances e grandes mistérios, este livro é de leitura obrigatória!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Opinião :: Uma Vida Muito Boa | J.K. Rowling

Título: Uma Vida Muito Boa
Autora: J.K. Rowling
Editora: Editorial Presença
Ano: 2017

Sinopse:
Quando J.K. Rowling foi convidada para fazer o discurso de abertura da cerimónia de formatura na Universidade de Harvard, escolheu falar aos jovens recém-formados sobre dois temas que muito preza: os benefícios do fracasso e a importância da imaginação. Ter a coragem de fracassar, disse ela, é tão essencial para uma vida boa como qualquer ato de sucesso; imaginarmo-nos no lugar de outras pessoas - em especial daquelas que são menos afortunadas que nós - é uma qualidade genuinamente humana que deve ser incentivada a todo o custo.
As histórias partilhadas por Rowling e as questões estimulantes que ela colocou aos jovens formados inspiraram desde então muitos outros a refletirem sobre o que significa viver uma «vida boa». Abordando temas como o fracasso, as adversidades, a imaginação e a inspiração, este livro permanece tão relevante hoje como da primeira vez que J.K. Rowling proferiu estas palavras, há 9 anos. Ao ousar correr riscos, e talvez fracassar, e ao explorar o poder da nossa imaginação, todos nós podemos começar a viver de forma menos circunspecta e, ao fazê-lo, tornamo-nos mais abertos às oportunidades que a vida tem para nos dar.

Opinião:
Este livro é pequeno em tamanho mas grandioso na mensagem que carrega. É quase um livro de bolso que se lê em minutos, e nesse tempo muita coisa se passa... Pelo menos comigo passou!
No livro, encontramos o discurso de J.K. Rowling na cerimónia de formatura da Universidade de Harvard em 2008. Além de as páginas estarem lindas com as ilustrações que acompanham os textos, estes incluem mensagens ricas e úteis, tanto para os recém formados como para todas as pessoas.
Ao longo do discurso, a autora recorre ao exemplo pessoal. Já tinha conhecimento de que J.K. Rowling passara por momentos muito complicados antes de se tornar conhecida, mas neste livro ela aborda o assunto de uma forma directa, sem rodeios, com alguns pormenores que nos fazem pensar e até arrepiar...
O seu percurso é um excelente exemplo para todos concluirmos que tudo o que de bom e de mau acontece pode e deve ajudar-nos a crescer e evoluir.
Enquanto lia estas palavras, imaginei a autora a discursar e toda a plateia a ouvi-la atentamente e a reagir positivamente. Acredito que, quem ouviu ao vivo, tenha ficado marcado para sempre. E ainda bem que ela eternizou as suas palavras num livro!
Este é um óptimo livro para todas as pessoas lerem. Certamente sentirão qualquer coisa com esta mensagem!

domingo, 22 de abril de 2018

Opinião :: Mariana, Meu Amor | Margarida Rebelo Pinto

Título: Mariana, meu amor
Autora: Margarida Rebelo Pinto
Editora: Clube do Autor
Ano: 2015

Sinopse:
No século XVII, durante a Guerra da Restauração da independência de Portugal, soror Mariana Alcoforado apaixonou-se por um oficial francês. As cartas de amor que lhe escreveu transformaram-se num símbolo da literatura romântica universal. Trezentos anos depois, Alice revisita esta história e aprende com Mariana a vencer a tristeza de um amor perdido.
Mariana, Meu Amor é um romance dentro de um romance, uma narrativa a duas vozes de duas mulheres corajosas que, através de vivências quase opostas, conseguiram desafiar o seu destino e alcançar a paz, sem negar os seus sentimentos mais profundos.

Opinião:
Estava expectante em relação a este livro pela ligação que existe entre o passado e o presente, com um toque de História e muito romance. Agora que o li, não sei bem o que achei... Gostei mas não adorei.
No livro, encontrei Alice, uma jornalista freelancer, que relata a Pedro, o homem que lhe partiu o coração, a sua vida antes e depois de o conhecer, tanto em Lisboa como no Rio de Janeiro, a forma como está a lidar com o fim da relação deles e de como descobriu e aprendeu com Soror Mariana a seguir em frente nestas situações. Alternadamente, aparece Mariana a ditar a sua história a uma noviça do Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja, acerca do seu caso amoroso com o cavaleiro francês Noël Bouton.
Soror Mariana ficou conhecida pelas suas cinco cartas escritas a Noël, onde desabafa o seu desgosto mas também lhe garante que o vai esquecer. Apesar de ter ocorrido no século XVII, este caso tornou-se transversal a qualquer época.
Relativamente ao livro, pensava que ia encontrar mais aspectos históricos; as palavras de Mariana não se alongaram muito além do prazer carnal que conheceu com Noël e dos sentimentos que lhe teve ao longo da vida. Das cartas, quase nem sinal delas! Só há alguns excertos e por vezes até se repetem. É certo que não esperava lê-las a todas integralmente, mas sinto que ficou aquém do que imaginava. Quanto a Alice, achei-a um bocado ingénua, apesar de ser uma mulher independente e determinada.
O que mais gostei foi da constante menção a Mariana nos textos de Alice, principalmente quando se referia ao amor e à sua personalidade. No entanto, fiquei um pouco desiludida com o final; pareceu-me demasiado romântico e levou-me a pensar: "Tanta coisa para isto?". Foi um final um tanto abrupto e fora do contexto. Mas percebi a intenção...
No final, há uma pequena cronologia interessante sobre Soror Mariana e alguns marcos históricos.
No geral, foi um livro bom de ler, mas não foi perfeito.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Opinião :: Os Vampiros do Norte | João Carlos Pinto

Título: Os Vampiros do Norte
Autor: João Carlos Pinto
Editora: Chiado Editora
Ano: 2017

Sinopse:
O protagonista e narrador de Os Vampiros do Norte é Trigo Roxo, o inspetor da PJ mais temido pelos criminosos nacionais, multinacionais, espirituais e galácticos. A trama principal começa com a perseguição a um vampiro made in Portugal e termina com o resgate de escravos portugueses da barbárie perpetrada por pérfidos e sanguinários vampiros do norte, nos alpes da Baviera. A talho de foice da intriga principal, Trigo Roxo narra ainda outras operações que levou a cabo com sucesso, onde todos os outros fracassaram: a libertação no inferno, das garras de lúcifer, de dois dos poucos políticos que tiveram entrada no Céu; a aniquilação da praga de mortos-vivos, comandados por lobisomens, que se propagavam pela Sibéria e ameaçavam invadir todo o mundo; a recuperação, no planeta Yoda, de móveis de sala de jantar de design exclusivo, produzidos em Portugal, comprados, sem autorização do fabricante, por extra terrestres descendentes de terráqueos; e muitas mais aventuras de cortar a respiração.
Os Vampiros do Norte é uma sátira política que não vai deixar ninguém indiferente. O autor aposta o seu pescoço em como, até mesmo os leitores mais exigentes, quando chegarem à última página do livro, vão ficar com água na boca e a chorar (ou será a rir?) por mais.

Opinião:
Estava com alguma curiosidade em conhecer este livro, pois a sinopse prometeu uma história bastante engraçada e até fantasiosa. Inicialmente, até achei que iria ser uma história confusa, por causa da variedade de acontecimentos enumerados, mas não foi o caso.
Na obra, temos o inspector da PJ Trigo Roxo, que é famosíssimo a nível universal, e que, na origem de um caso de investigação que só ele poderia levar a cabo, vai contando o desenrolar desse e de outros casos que ele conseguiu resolver.
Após esta leitura, o primeiro comentário que posso fazer é: o autor tem uma imaginação muito fértil! De facto, ao longo do livro fui pensando nisso mesmo e este é um aspecto muito bom. Às vezes, algumas coisas pareciam demasiado inventadas, mas foram tão bem desenvolvidas que até pareceram reais. Outra coisa que também gostei foi da ironia sempre presente; tratando-se de uma sátira política, foram vários os excertos que me fizeram rir e achar que isto devia ser lido por certas e determinadas pessoas...
Contudo, devo dizer que não foi uma leitura perfeita porque me deparei com demasiadas gralhas e erros ortográficos, o que, para mim, é fatal. Desta maneira, fui perdendo várias vezes o fio à meada por me distrair com essas falhas. Sim, poderia simplesmente ignorar, mas, como já mencionei aqui e aqui, é algo que me faz muita comichão... Penso que a revisão não foi muito boa e deveria ter sido feita por alguém que não o autor.
Fora este pormenor, o livro é bom e merece ser lido, tanto para rir como para reflectir.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Opinião :: Capitães da Areia | Jorge Amado

Título: Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado
Editora: Planeta de Agostini
Ano: 2002 (1.ª edição de 1937)

Sinopse:
Já por várias vezes o nosso jornal, que é sem dúvida o órgão das mais legítimas aspirações da população baiana, tem trazido notícias sobre a atividade criminosa dos «Capitães da Areia», nome pelo qual é conhecido o grupo de meninos assaltantes e ladrões que infestam a nossa urbe. Essas crianças que tão cedo se dedicaram à tenebrosa carreira do crime não têm moradia certa ou pelo menos a sua moradia ainda não foi localizada. Como também ainda não foi localizado o local onde escondem o produto dos seus assaltos, que se tornam diários, fazendo jus a uma imediata providência do Juiz de Menores e do dr. Chefe de Polícia.

Opinião:
Numa nota inicial sobre o autor, que acompanha todos os livros desta colecção, refere-se que a primeira edição da presente obra foi queimada em praça pública, devido ao intenso envolvimento de Jorge Amado na política. Uma curiosidade interessante que me deu mais vontade de ler esta história, que se trata de um relato sobre as crianças abandonadas da Bahia, que vivem de furtos e moram na rua. Elas são vistas como delinquentes e são igualmente negligenciadas pela sociedade; aliás, existe um esforço em descobri-los e enviá-los para o reformatório, lugar onde o regime é à base da violência.
Com esta leitura, conheci de perto estas crianças e o que lhes vai na alma; a maioria delas é órfã e nunca teve infância: elas tiveram de crescer à força e não sabem o que é o amor e o carinho. Também havia pessoas que as compreendiam e se preocupavam em lhes melhorar o futuro,  pois algumas delas tinham talentos escondidos, mas estas crianças, por mais que quisessem mudar, presavam demasiado a vida e a liberdade que viviam.
Esta é uma dura crítica social que mostra as injustiças e desigualdades daquela época, principalmente. Aqui vê-se bem o poder dos homens de estatuto elevado e o desprezo em relação aos que não vão ao encontro das suas ideias, ainda que sejam erradas. Contudo, há sempre lugar para a esperança e a história guia-se por isso mesmo.
Até agora, este foi um dos livros de que mais gostei de Jorge Amado, pela sua pertinência e ironia, bem como pela beleza de escrita. Adoro viajar pelo Brasil através da leitura destas obras.

terça-feira, 27 de março de 2018

Opinião :: Onde Cantam os Grilos | Maria Isaac

Título: Onde Cantam os Grilos
Autora: Maria Isaac
Editora: Cultura Editora
Ano: 2017

Sinopse:
Ainda bebé, Formiga foi deixado num cesto nos degraus da casa da Herdade do Lago.
O mistério da sua chegada é apenas mais um na longa história da herdade e das várias gerações dos Vaz, assombrada por lendas e maldições: uma fonte inesgotável de mistérios fascinantes para a imaginação do rapazinho cabeça de vento.
Deslumbrado pela vida da família que venera de forma atrapalhada, Formiga corre e trepa a árvores, encolhe-se, faz-se invisível, inventa um pouco de tudo para conseguir acompanhar conversas, descobrir mais um segredo.
Mas o último segredo que ele descobre revela-se demasiado grande para a curiosidade bem-intencionada de uma criança, e um erro seu acaba por destruir o único mundo que conhece e pôr fim à sua infância.
Mais de vinte anos depois, Formiga regressa à Herdade do Lago e escreve para um leitor invisível, relembrando tudo o que
foi e que não deveria ter sido.
Uma história doce contada pela voz de um adulto que fala pela criança que foi um dia.


Opinião:
Este livro foi uma agradável surpresa. Não sabia o que esperar dele e houve tempos em que pensava que se tratava de uma fábula! Porém, logo no início apercebi-me de que Formiga é um homem que regressa à sua casa de infância e conta a sua vida e a da família nesse período de tempo; ele avisa que a história pode parecer uma tragédia e isso foi um aspecto que me fez ter mais curiosidade.
Ao longo do livro, notei que a história se passa em meados do século XX e fui conhecendo as pessoas que fizeram parte da vida de Formiga, bem como as suas tarefas na herdade, rotinas e relações. Formiga sempre me pareceu um menino ingénuo, vivendo naquele espaço limitado e desconhecendo alguns sentimentos, tanto os bons como os maus. Tudo o que conhecia era o que via e ouvia na herdade, ou o que as pessoas de lá lhe contavam.
A vida na herdade foi contada de uma forma que me aqueceu o coração! Tal como as personagens, sou uma pessoa do Norte e as minhas origens são de ambiente rural; por isso, em certos momentos imaginava os meus avós (que já cá não estão) a trabalhar no campo e nos animais, os meus pais e tios em crianças a brincar e a ajudar os mais velhos, a maneira de eles falarem (autenticamente à Norte!)... Senti uma proximidade caseira com as personagens!
Essa proximidade fez com que eu reagisse mais emotivamente à descoberta de alguns segredos deles. Sim, esperava acontecimentos trágicos, mas nunca imaginei que fosse o que foi. E isso deixou em mim alguma tristeza e pena, principalmente por Formiga; a criança ingénua descobriu abruptamente o lado amargo da vida. E tirou daí várias lições, que também partilha connosco.
De facto, foi um livro encantador, apesar do desfecho que teve. Adorei o carinho que me fez sentir pelas personagens e o bem que me soube ler a história. Aconselho muito a que a leiam também!

domingo, 18 de março de 2018

Opinião :: Duas Mulheres, Dois Destinos | Lesley Pearse

Título: Duas Mulheres, Dois Destinos
Autora: Lesley Pearse
Editora: Edições ASA
Ano: 2017

Sinopse:
Na primavera de 1935, em Londres, duas jovens observam enquanto a polícia retira o cadáver de um homem de um lago. Elas vêm de mundos completamente diferentes. Ruby é filha de uma prostituta alcoólica e só conhece a pobreza e o abandono. Verity, de boas famílias, vive com todo o conforto que o privilégio garante. Mas, nesse dia, começa entre ambas uma amizade que perdurará ao longo do tempo. 
O destino, porém, não tardará a mostrar quão traiçoeiro pode ser: ao passo que Ruby encontra, por fim, um lar onde é amada e acarinhada, Verity sofre revés atrás de revés, e um terrível segredo do passado ameaça destruí-la. A Grã-Bretanha prepara-se para a guerra, a conjuntura é turbulenta. Apesar disso, ambas continuam presentes na vida uma da outra… até ao dia em que uma delas profere as palavras: "Morreste para mim".
Num país dilacerado pela guerra, poderá a amizade sobreviver?

Duas Mulheres, Dois Destinos é um romance épico que nos fala de lealdade, amor, e da força dos laços de amizade perante as mais duras adversidades. Como sempre, Lesley Pearse não desilude…

Opinião:
Mais um livro lido desta autora que tenho vindo a acompanhar e tenho gostado. O género de história é semelhante aos outros que já li, mas o que me cativa mais são as diferentes épocas em que acontecem. Neste caso, desenrolou-se em plena Segunda Guerra Mundial, no Sul de Inglaterra.
As duas protagonistas são duas meninas que se conhecem por acaso e criam amizade, apesar das diferenças de estrato social. Entre elas vão descobrindo coisas sobre a vida e complementando as falhas uma da outra. Apesar do que lhes acontece mais tarde, é bom acompanhar toda a evolução da relação que têm, tendo sempre em segundo plano a evolução da guerra.
Este não foi de todo o melhor livro que li da autora, pois não me levou a reacções de extrema ansiedade, felicidade ou espanto; houve momentos de algum suspense mas que não tiveram nenhum efeito em mim. Nesse aspecto, a história foi muito monótona. Além disso, esperava um pouco mais de trama e não tanto final feliz, já que decorria uma guerra. Se bem que nem tudo tem de correr mal, não é? Tirando isso, gostei da história.
O que mais gostei no livro foi da alusão que me fez da situação que vivemos actualmente. Queiramos admitir ou não, o mundo vive sob uma guerra mundial. Veja-se o exemplo da Síria, que é o país mais fustigado e não vê paz há sete anos. Infelizmente, muitos outros continuam a sofrer bombardeamentos, ataques e carnificinas quase diariamente. E o que tem isto a ver com o livro? Bem, ao longo do livro, existem vários episódios de ataques aéreos que causaram destruição, mortes e medo na população, coisas que já li recentemente nos livros que relatam o que se vive na Síria (como partilhei aqui e aqui). Além disso, há menção do estado da guerra nos outros países do mundo, que resulta numa interessante fonte de informação histórica (e eu adoro quando há História no meio da história!). Apesar de a história ser ficcional, a Segunda Guerra existiu e infelizmente continua a não haver tréguas nas actuais.
Mas, guerras à parte e voltando ao livro, foi uma história bonita, contudo não foi a mais fascinante que já li. Mesmo assim, não deixou de ser agradável de ler.

domingo, 11 de março de 2018

Opinião :: A Voz do Silêncio | Helena P. Blavatsky


Título: A Voz do Silêncio
Autora: Helena Petrovna Blavatsky
Editora: Marcador
Ano: 2017 (4.ª edição)

Sinopse:
A Voz do Silêncio é uma verdadeira inspiração divina. Uma obra-prima que inspirou Lev Tolstói, James Joyce, Aldous Huxley, Carl Jung, Albert Einstein, Mahatma Gandhi, Jiddu Krishnamurti, Wassily Kandinsky, entre outros.
O texto traça, em linguagem poética e elevada, um panorama do caminho que leva à iluminação fazendo diversas recomendações práticas aos aspirantes que o desejam seguir.
Ensina-nos a ouvir tudo o que vem do seu interior como um verdadeiro guia para a vida, numa viagem de autoconhecimento, onde é necessário ser perseverante e subir com força e fé os degraus do caminho.
É uma obra-prima da literatura espiritual que ilumina e inspira os buscadores da verdade até aos dias de hoje.

Opinião:
Considero este livro uma boa fonte de informação acerca das filosofias do Oriente e um óptimo guia para quem estiver afim de as seguir.
No meu caso, que li o livro de uma assentada, fiquei com breves noções do processo da descoberta interior, mas acredito que esta obra deve ser consultada com calma, com tempo e muita vontade de absorver as suas palavras.
Os textos estão muitas vezes escritos em frases soltas e os ensinamentos dirigem-se ao próprio leitor. Vão aparecendo vários termos em sânscrito e outras expressões próprias que possuem explicação mais detalhada no final do livro.
Mais do que seguir esta filosofia, acho bom ler este livro para se adquirir conhecimento em relação a tradições espirituais tão diferentes do que estamos habituados.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Opinião :: Para Lá do Inverno | Isabel Allende

Título: Para Lá do Inverno
Autora: Isabel Allende
Editora: Porto Editora
Ano: 2017

Sinopse:
«No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível.»
Albert Camus
 

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário. Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera. 
Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.

Opinião:
Perante uma capa tão bonita e um título apropriado à época em que estamos, não resisti a pegar neste livro.
Antes mesmo de ler a sinopse, imaginei um romance apaixonante e cor-de-rosa; o certo é que fiquei surpreendida com os contornos que a história foi ganhando.
Cada capítulo acontece em vários países e relata alguns momentos da vida das personagens principais: Lucía, Evelyn e Richard. A determinada altura, as suas vidas encontram-se e, ante um imprevisto macabro, os três partem numa pequena aventura inesperada e arriscada no Inverno rigoroso do Norte dos Estados Unidos.
O que achei mais fascinante nesta história foi a metáfora existente no conceito de Inverno, pois não só é a estação em vigor, como também é o estado das vidas das personagens. Todas elas estão a passar por fases complicadas, bem como têm um passado marcado por dificuldades e choques que lhes arrefeceu a vida. No entanto, o seu encontro permite-lhes conhecer-se melhor, verbalizar os seus problemas, ajudar-se mutuamente e criar laços de amizade e amor, redescobrindo o Verão das suas vidas.
Além disso, a história decorre em 2016, um passado muito recente e que menciona vários assuntos muito actuais, maioritariamente decorridos nos países da América (EUA, Chile, Guatemala, México, ...).
Como grande falha minha, este foi o primeiro livro que li da autora e também o primeiro que fala um pouco da História dos países do Sul da América. Sem dúvida que vou querer ler mais livros da sua autoria.
Gostei muito desta história e aconselho vivamente a sua leitura!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Opinião :: Pede-me o que quiseres e eu dar-te-ei | Megan Maxwell

Título: Pede-me o que quiseres e eu dar-te-ei
Autora: Megan Maxwell
Editora: Editorial Planeta
Ano: 2016

Sinopse:
Apesar das discussões que as diferentes personalidades provocam, o empresário Eric Zimmerman e Judith Flores continuam tão apaixonados como no dia em que os seus olhares se cruzaram pela primeira vez. Juntos formaram uma linda família que adoram e pela qual são capazes de fazer qualquer coisa.
Flyn, o menino que Judith conheceu ao chegar a Munique, é agora um adolescente, e como acontece na maior parte dos jovens, a sua vida complica-se e afecta todos à sua volta.
O advogado Björn e a ex-tenente Mel continuam a bonita história de amor, junto da pincesa Sami. Sem dúvida que a convivência os beneficiou muito. Mas há algo que Björn não consegue de Mel: que se case com ele.
As relações entre os dois casais vão de vento em popa.
Amam-se, respeitam-se, nada parece fora do lugar, até que de súbito, pessoas e surpresas do passado irrompem nas suas vidas e põem tudo de pernas para o ar.
Serão capazes de superar esta reviravolta inesperada? Conseguirão com o amor que professam? Ou mudarão os sentimentos para sempre?
Se quer saber, não perca Pede-me o Que Quiseres e Eu Dar-te-ei, a esperada continuação da série mais erótica de Megan Maxwell.

Opinião:
Depois de uma trilogia que me fez apaixonar pelas suas personagens, nada melhor que um calhamaço de 727 páginas com a continuação das suas vidas.
Apesar de ter gostado do livro, admito que o início não foi assim tão emocionante; deu para me pôr a par das vidas de cada um e das mudanças que sofreram. Aos poucos, alguns problemas foram aparecendo e, a partir daí, houve mais desenvolvimento e emoção.
Gostei da abordagem da autora a temas actuais, como as complicações que por vezes existem na adolescência e os problemas que põem à prova as relações amorosas. Tal como as personagens, fui sofrendo com elas e envolvendo-me cada vez mais na história.
Se levei demasiado tempo a ler o início do livro, já do meio para o fim li com muito mais avidez; a história teve todo um crescendo de emoções e culminou num grande final.
Talvez a história seja um pouco clichê ou desfeche com o clássico final feliz, mas tendo em conta tudo o que antecedeu (mesmo nos outros livros), acho o romance simplesmente fascinante e memorável. Adorei!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Opinião :: Querido Mundo | Bana Alabed

Título: Querido Mundo
Autora: Bana Alabed
Editora: Editorial Presença
Ano: 2017

Sinopse:
Quando Bana Alabed, uma menina de oito anos, acedeu ao Twitter para descrever os horrores da guerra na Síria, onde ela e a família viviam, as suas mensagens angustiantes emocionaram o mundo e deram voz a milhões de crianças inocentes.
A infância feliz de Bana foi subitamente interrompida pela guerra civil no país, quando tinha apenas três anos. Ao longo dos quatro anos seguintes, ela testemunhou diariamente os efeitos de bombardeamentos, a destruição e o medo. Esta aterradora experiência culminou no violento cerco de Alepo em que Bana, os pais e os dois irmãos mais novos ficaram encurralados, com escasso acesso a alimentos, água, medicamentos e outros bens essenciais.
Perante a permanente ameaça de morte causada pelas bombas implacáveis que caíam perto deles - uma delas destruiu por completo a casa onde habitavam -, Bana e a família não tiveram alternativa senão tentar deixar o cenário de violência em Alepo e procurar, apesar de todos os riscos, um plano de evacuação para a Turquia.
Escrito com as próprias palavras de Bana e incluindo cartas comoventes de Fatemah, sua mãe,
Querido Mundo não é apenas um relato absorvente de uma família num país em guerra - é também um olhar único e pungente de uma criança sobre uma das maiores crises de sempre da Humanidade. Bana perdeu a sua melhor amiga, a escola que frequentava, o lar e a sua terra natal. Mas não perdeu a esperança - para ela e para todas as crianças do mundo que são vítimas e refugiadas de guerra e que merecem uma vida melhor.

Opinião:
Quando li a sinopse e folheei o livro, fiquei fascinada com Bana e desejosa de conhecer a sua história. No início, ela conta como foram os seus primeiros três anos de vida, com a sua família e sem problemas, e como, de repente, a guerra a limita e a todos os habitantes de Alepo. Durante meses, a sua família assistiu aos horrores da guerra e foi sobrevivendo às suas ameaças, tendo passado, ainda assim, por muitas dificuldades. Mas foi com a partilha de mensagens no Twitter que Bana pediu ajuda ao mundo e conseguiu melhorar o seu destino.
Este relato é impressionante; as palavras de Bana conseguem mostrar o terror por que passou ao presenciar a guerra, mas a simplicidade do seu discurso faz-nos recordar que ela é apenas uma criança que não entende a necessidade de existir tanto mal.
Apenas com sete anos, Bana passou por muitos problemas mas mostrou ser forte, bondosa e mais altruísta do que muitos adultos. Mostrou também a importância da união familiar em todos os momentos, principalmente nos mais difíceis.
Querido Mundo relembra-nos acontecimentos ainda bastante presentes que, para mim, continuam a ser inconcebíveis, difíceis de perceber. Mesmo já tendo lido alguns relatos sobre esta guerra, continuo a surpreender-me com as tragédias que se abateram na Síria. Mas Bana e a sua mãe são agora duas activistas que colocam alguma esperança no futuro. E só espero que tudo rume ao caminho certo: o da paz.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Opinião :: O Prodígio | Emma Donoghue

Título: O Prodígio
Autora: Emma Donoghue
Editora: Porto Editora
Ano: 2017

Sinopse:
A jovem Anna recusa-se a comer e, apesar disso, sobrevive mês após mês, aparentemente sem graves consequências físicas. Um milagre, dizem.
Mas quando Lib, uma jovem e cética enfermeira, é contratada para vigiar a menina noite e dia, os acontecimentos seguem um diferente rumo: Anna começa a definhar perante a passividade de todos e a impotência de Lib. E assim se adensa o mistério sobre aquela família de agricultores que parece envolta num cenário de mentiras, promessas e segredos.
Prisioneira da linguagem da fé, será Anna, afinal, vítima daqueles que mais ama?

Opinião:
A primeira leitura de 2018 não podia ter sido mais fantástica! Que história, que emoção...
Li o livro em cinco dias; pode parecer pouco tempo, mas a mim pareceu uma eternidade, visto que não consegui descansar sem chegar ao fim do livro. Não consegui mesmo!
A história fala de uma menina, Anna, que decidiu jejuar a partir do dia do seu décimo primeiro aniversário. Perante este caso insólito, e para tentar comprovar a completa privação de alimento, a enfermeira Lib e uma freira foram contratadas para a vigiar. Mas é em Lib que a menina confia mais e dá-se a conhecer. Por sua vez, Lib faz de tudo para a conseguir persuadir a voltar a comer, bem como tenta descobrir o porquê de tudo isto.
Este caso mostrou-se muito intrigante e captou-me a atenção desde o início; à medida que ia lendo, mais impaciente ficava... porque queria mesmo desvendar o mistério! Além disso, a história passa-se em 1859 (século XIX, época que me agrada bastante), na Irlanda. A autora fez-me assim viajar no tempo e no espaço, com uma escrita muito cativante e com assuntos sérios (principalmente religiosos) e outros inesperados. Por vezes, a história tornou-se densa, mexendo até com os meus sentimentos; consegui sentir o drama das personagens e, no fim, fiquei aliviada com o desfecho.
Adorei este livro! A história é viciante e é óptima para quem adora grandes mistérios. Quem o começar a ler, dificilmente vai conseguir parar!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Opinião :: Pede-me o que quiseres ou deixa-me | Megan Maxwell

Título: Pede-me o que quiseres ou deixa-me
Autora: Megan Maxwell
Editora: Editorial Planeta
Ano: 2014

Sinopse: 
Judith e Eric regressam da viagem de lua-de-mel depois de um casamento de sonho. Ele sente-se o homem mais feliz do universo e não imagina a vida sem ela: apesar disso, os ciúmes e o desejo veemente de a proteger assolam-no repetidamente.
Por seu lado, Judith está maravilhada com o seu Iceman e tenta ver sempre tudo pelo lado positivo, embora em mais de uma ocasião fique com o pescoço cheio de chupões…
Desfruta de Eric e dos jogos sexuais, excepto quando ele lhe sussurra que um dos seus maiores desejos é ter um filho com ela.
Pede-me o Que Quiseres ou Deixa-me é uma intensa e atrevida história de amor, recheada de atracção e erotismo, onde os protagonistas lutam por preservar a relação, apesar de o preço que terão de pagar ser demasiado alto.
Megan Maxwell conclui assim esta saga erótica repleta de emoções e paixão.

Opinião:
Pede me o que quiseres ou deixa me tem um título ainda mais empolgante do que o segundo livro, já que dá a entender que nem tudo o que se passa na vida do casal Zimmerman é um mar de rosas, de tal modo que um deles acabará por fazer essa questão.
Neste livro, esperei ficar a par da vida oficial de casados de Judith e de Eric e, tendo em conta o título e o arrufos a que já me habituaram, saber se eles conseguiriam vingar a relação.
Sendo o término da saga, esperei igualmente um final feliz (o meu espírito romântico deixa-me sempre expectante) e li o livro com grande avidez, tal como os anteriores. Foi com alguma ansiedade que li algumas partes mais tensas, mas no geral foi uma história feliz, que me agradou muito.

No cômputo geral, a saga Pede me o que quiseres foi muito agradável de seguir. Conheci duas pessoas completamente diferentes que se apaixonaram fervorosamente e que descobriram juntas um mundo íntimo que ainda é do desconhecimento de muita gente.
A história teve muito erotismo e paixão, mas também marcou pelo amor (pelo parceiro, família e amigos), pela confiança, pelo valor da amizade, pelas diferenças culturais (muito calor de Espanha e muita frieza da Alemanha!) e até pelo humor! Houve muitos altos e baixos na história, e ainda bem, pois assim não se tornou maçuda.
Os livros são grandes mas lêem-se muito bem, principalmente se este género de romance for o preferido do leitor!
Gostei mesmo da história e vou ter saudades de Judith e de Eric!